Os Estados Unidos vão entrar em uma recessão no fim de 2024, o que levará o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) a ter de acelerar o ritmo de cortes de juros, afirmou o economista sênior do banco de investimento do UBS, Alan Detmeister. O especialista participou de uma coletiva com jornalistas durante o Latin America Investment Conference (LAIC),promovido pelo UBS, em São Paulo.
Conforme o especialista, o banco suíço é uma das poucas casas que ainda prevê uma recessão na economia americana, ainda que em um nível leve. Detmeister avaliou que o BC dos EUA vai começar a cortar os juros ainda em março, com uma redução de 0,25 ponto percentual. Porém, com a economia entrando em contração, o Fed começaria a efetuar cortes maiores.
A previsão do UBS é que a taxa terminal possa alcançar 1,25% no fim do primeiro trimestre de 2025. Os juros americanos, por outro lado, podem terminar este ano na faixa entre 2,5% e 2,75%.
Segundo Detmeister, a inflação nos EUA tem desacelerado significativamente. “A inflação [americana] caiu muito, com o núcleo do PCE [a medida de inflação preferida pelo Fed] alcançando 2,9% de um pico de 5,7%. Nos próximos meses vai continuar a cair e, em abril, projetamos que [o núcleo do PCE] esteja em 2,4%, já perto da meta do Fed.”
De acordo com o economista, a demanda agregada é apenas “parte do problema da inflação, mas não é o ‘driver’ principal”. Há, na visão do especialista do UBS, um desalinhamento do capital de produção e da demanda de consumo.
O economista afirmou ver uma demanda de serviços ainda abaixo da média. “Há serviços como restaurantes e outros com uso bem menor do que a capacidade”, disse. “Nos EUA, ainda existe uma mudança de consumo para bens, com demanda bem acima da média desde a pandemia.”
De acordo com Detmeister, o crescimento do emprego está em um nível abaixo do visto no período pré-pandemia, os juros mais elevados vão continuar a afetar o custo dos empréstimos das pessoas físicas e os consumidores não têm mais os recursos que tinham um ano atrás. “No fim do ano, não vai haver um impulso do consumo, como visto nos últimos anos, e o nível de disposição de consumo também está muito baixo”, avaliou.
Conforme o economista, “o Fed deve começar o corte em março com uma redução de 25 pontos-base, mas, no segundo semestre, veremos a economia mais fraca e vão começar a aumentar o ritmo [de corte] para dar suporte à economia”.
Detmeister avaliou o déficit de orçamento americano como “estando em um caminho insustentável”. No entanto, o especialista acredita que um impacto mais significativo do crescimento do endividamento ocorreria mais no longo prazo. “No longo prazo a sustentabilidade do déficit pode se tornar mais uma questão para os juros.”
Fonte: Valor Econômico
