Transações menores, em busca de inovação e vantagem competitiva, devem dar o tom das operações deste ano
Após uma intensa movimentação de fusões e aquisições (M&A) no mercado de saúde, que teve seu auge no Brasil em 2021, o setor viveu um período de retração nos três anos seguintes. Para 2025, no entanto, as perspectivas são de um crescimento de 20% nas transações em relação ao ano passado, impulsionado principalmente pela indústria farmacêutica, em busca de inovação, novos medicamentos e vantagem competitiva.
O estudo sobre tendências globais de fusões e aquisições no setor da saúde realizado pela PwC, que divide o segmento em dois negócios — indústria farmacêutica e serviços de saúde (hospitais e medicina diagnóstica) —, indica que serão transações menores, ao contrário de grandes negócios no passado, a exemplo a junção da Atlântica Hospitais com a Rede D’Or; a aquisição da empresa brasileira de implantes dentários Implacil pela coreana Osstem por US$ 89 milhões; e a compra pela empresa americana DaVita de uma rede de clínicas de diálise do grupo alemão Fresenius no Brasil, Colômbia, Chile e Equador, um negócio de US$ 300 milhões. No total, foram 49 transações de M&A no país em 2024.
Na avaliação de Bruno Porto, sócio da PwC, a indústria farmacêutica brasileira está se consolidando no país e expandindo sua atuação para fora. “Temos empresa brasileira com presença no México, em países da América Latina e na Europa e acreditamos que esse movimento continue”, afirma Porto. Ele cita como exemplos a EurofarmaCotação de Eurofarma e a EMS.
No setor de serviços, o movimento visa escala e ganho de eficiência. O estudo aponta que, nesse segmento, as empresas continuarão a adquirir ativos digitais ou empresas de tecnologia, incluindo a exploração de serviços baseados em inteligência artificial (IA). No ano passado, o setor de serviços teve uma queda de 30% nas transações envolvendo fusões e aquisições.
“Quando olhamos a indústria farmacêutica foi o contrário, com um crescimento de 54% no volume de transações anunciadas em 2024, em relação a 2023”, informa Leonardo Dell’Oso, sócio da PwC. Grande parte das 17 transações nesse segmento em 2024 envolveu aquisição de marcas de medicamentos e participação em outras indústrias farmacêuticas.
Outra tendência apontada para 2025 é um aumento da participação de investidores estrangeiros nas transações do setor. “Essa participação vem crescendo nos últimos anos. Em 2023, representou 13% nas transações, subiu para 25% em 2024 e tudo indica que o investidor vai continuar olhando para o setor de saúde no Brasil”, diz Dell’Oso. Ele destaca que outro setor que deve gerar oportunidades de investimento envolve o desenvolvendo de medicamentos à base de cânhamo para fins medicinais.
Fonte: Valor Econômico