A Vinci Partners está próxima de fechar a venda de 50% da Farmax — fabricante de cosméticos e itens de cuidados pessoais controlada pela gestora de private equity desde 2021 — para os fundos Lazuli Partners e Vydia por R$ 500 milhões, segundo o Valor apurou.
A Lazuli é uma gestora criada por Carlos de Barros e Bruno Alves (ambos ex-Gávea), em 2022. Já a Vydia foi fundada por Rodrigo Galindo (presidente do conselho da CognaCotação de Cogna), em 2023, e tem recursos de alguns ‘familiy offices’ como do empresário David Feffer, da SuzanoCotação de Suzano.
Nessa transação, a Lazuli está aportando R$ 250 milhões e a outra fatia vem da Vydia, sendo a maior parte da família Feffer, ainda segundo fontes.
As três gestoras — Vinci, Lazuli e Vydia — vão compartilhar o controle da empresa. No começo das conversas, o objetivo era adquirir o controle, mas a Vinci não quis abrir mão de continuar com uma fatia relevante.
Parte dos recursos vai para a Vinci e outra parcela é destinada à expansão da Farmax. Em 2023, a fabricante fechou com receita bruta da ordem de R$ 850 milhões e a expectativa é chegar em 2027 com faturamento de R$ 1,1 bilhão.
Com uma unidade fabril na cidade de Divinópolis, em Minas Gerais, a Farmax foi fundada há quase 45 anos e produz itens como protetor solar, hidratante, soro, água oxigenada, suplemento alimentar, entre outros, de marcas como Hidraderm, Farmax, Moskitoff, Vasemax, Sunless, Be Veg, totalizando 450 produtos.
A empresa também é responsável pela fabricação de produtos de higiene e beleza de marcas próprias de redes farmacêuticas como RaiaDrogasilCotação de RaiaDrogasil, grupo DPSP, Araújo, entre outras.
No primeiro semestre do ano passado, a Farmax fez duas importantes aquisições. Uma delas foi a Sanavita, uma das três maiores empresas de suplemento alimentar com receita anual de aproximadamente R$ 100 milhões. Com essa transação, a fabricante entrou num novo mercado, que faz parte da estratégia de expansão.
Outro negócio foi a compra da Negra Rosa, empresa de produtos para cabelo, maquiagem e cremes. Em entrevista ao Valor, no ano passado, Ronaldo Ribeiro, presidente da Farmax, disse que a empresa planeja investir R$ 100 milhões para expansão da Negra Rosa.
A empresa está presente em mais de 95% das farmácias do país, o que é um facilitador para a inclusão de produtos de suas recentes aquisições no canal de drogarias. Segundo pesquisa da Kantar, o tíquete médio dos clientes de farmácia com produtos de higiene e beleza é de R$ 174,95, o que representa 53% a mais do que é gasto com medicamentos sem prescrição (OTC).
Ainda segundo fontes, a Farmax vinha sendo analisada pela Lazuli há algum tempo. A gestora de Carlos de Barros, que foi CEO da Dasa até 2022 após sua passagem pela Gávea, procurou Galindo para uma sociedade. O presidente do conselho da Cogna levantou, no ano passado, em poucos meses mais de R$ 500 milhões e estava procurando ativos não ligados à área de educação para evitar conflitos.
Em dezembro do ano passado, Galindo havia recebido 112 ofertas, sendo que 17 tinham sido escolhidas para serem analisadas com mais detalhes. A estratégia do fundo Vydia contempla a aquisição de empresas de médio porte que já são boas geradoras de caixa.
A Lazuli, por sua vez, já adquirido a Blue Health, maior empresa de locação de equipamentos médicos, em conjunto com o Kinea, do ItaúCotação de Itaú, e EB Capital, de Pedro Parente e Eduardo Sirotsky Melzer. A Lazuli tem recebido muitas ofertas de ativos ligados à saúde devido à experiência de Barros na Dasa, DNA Capital e Gávea, onde também atuava no mercado de medicina.
A Vinci é assessorada pelo UBS BB e Pinheiro Neto.
A Farmax vem tendo crescimento expressivo desde a entrada da Vinci Partners, em 2021. Em 2020, a empresa, que até então era uma companhia familiar e iniciou um processo de profissionalização há cerca de seis anos, tinha uma receita de aproximadamente de R$ 300 milhões. No ano passado, a receita já havia pulado para R$ 850 milhões, com meta de ultrapassar a casa de R$ 1 bilhão em 2027 (sem incluir aquisições). Entre 2022 e 2023, o faturamento subiu cerca de 30% e de 20% no ano passado — percentuais acima do setor.
A indústria de produtos de higiene pessoal, beleza e cosméticos movimentou US$ 1,74 bilhão em importações e exportações (balança comercial) em todo o ano passado no Brasil, o que representa uma alta de 14,5% em relação à corrente de comércio internacional de 2022, de acordo com dados da ABIHPEC, entidade do setor. As vendas do setor de produtos de higiene e beleza no Brasil somaram US$ 31,3 bi bilhões em 2023, alta de 12,7%, segundo dados da Euromonitor.
A Farmax, que começou produzindo removedor de esmalte e soro fisiológico e hoje tem um portfólio com mais de 450 itens, atua num mercado de tíquete baixo, o que é interessante em momentos de crise econômica. Há uma tendência de marcas da base da pirâmide de ofertar produtos com maior valor agregado incluindo, por exemplo, cremes com àcido hialurônico, protetor solar em bastão, cremes e cosméticos veganos — lançados, inicialmente, por marcas premium — e que atraem a clientela.
Procuradas pela reportagem, a Farmax e as gestoras de private equity Vinci, Vydia e Lazuli informaram que não comentam rumores de mercado.
Fonte: Valor Econômico