Daniel Leichsenring, ex-economista-chefe da Verde Asset Management, é o novo sócio da WHG, gestora de fortunas fundada por profissionais egressos do Credit Suisse (CS). Ele assume como executivo-chefe de investimentos (CIO) da área de gestão de riqueza (“wealth”), uma atribuição um pouco diferente da que exerceu nos últimos dez anos, mas que não lhe é de todo estranha. Na antiga casa, ele coordenava o comitê de investimentos e também atuou na gestão de portfólios de renda fixa.
“Sob diversos aspectos é diferente e sob outros é semelhante. No fundo, tem algumas coisas em comum, como o foco no cliente, no que é melhor para ele”, diz Leichsenring, ao compartilhar com o Valor a sua transição e como pensa o cenário que vai balizar a alocação mais adiante. “Sob o novo chapéu, há uma série de outros produtos para alocar estrategicamente o patrimônio das famílias num mundo mais abrangente do que no anterior, mas o fundamentalista macro, os ciclos econômicos lá fora e no Brasil passam por uma compreensão importante disso.”
Leichsenring deixou a Verde em setembro de 2024, passou um ano em Los Angeles (EUA) e agora está fazendo as malas para voltar para o Brasil com a família e se juntar ao time da WHG.
É uma equipe que ele conhece há mais de 20 anos, porque antes de ir para a Verde, de Luis Stuhlberger, foi economista-chefe da asset do Credit Suisse Hedging Griffo (CSHG) e da própria Hedging-Griffo. Foi de onde saiu Marco Abrahão, sócio-fundador da WHG, ex-chefe da área de gestão fortunas do CS para a América Latina. O executivo montou a operação tendo a XP como sócia de 49,9% do negócio, há pouco mais de quatro anos. Hoje reúne cerca de R$ 50 bilhões.
“O que ajudou nas conversas é a longa experiência que ele tem no mercado e uma certa proximidade desde a época do CSHG, conhece grande parte das pessoas, principalmente o ‘senior management’. O que tiver de oportunidade no mercado, vamos olhar. Algumas conversas no passado para se aproximar mais do cliente tiveram como motivação a vinda do Daniel.”
Após disputar ao lado da XP a aquisição do Julius Baer no Brasil – operação adquirida pelo BTG Pactual no início do ano, por R$ 615 milhões -, Abrahão diz seguir de olho nas alternativas de consolidação no setor. “É um mercado que passa por um período de aperto de margens. Se antes se falava num ‘break even’ [equilíbrio financeiro] de R$ 10 bilhões [em ativos sob gestão, o AUM], hoje isso passa por R$ 15 bilhões, mas é um negócio de oportunidade, no fim do dia tem que ter o encaixe cultural, não é juntar só para ter mais AUM.”
Por ora, ele diz buscar capital humano, crescer de forma orgânica estrategicamente. “O Daniel vem em linha com essa cultura, com a vantagem de que entra e já sai jogando rápido”, prossegue Abrahão. “Mas pelo nosso posicionamento, de ser a maior gestora de fortunas independente no Brasil, estamos olhando sim [oportunidades de aquisição], desde que o resultado final seja a aproximação com o cliente, se for só para encher o cofrinho não temos interesse.”
Leichsenring combina com a parte do plano de expansão orgânica, da WHG. Abrahão cita que ele vivenciou a transformação da indústria de fundos nos seus tempos na Verde e traz na bagagem uma experiência única, que mistura conhecimentos profundos de macroeconomia com seleção estratégica de ativos.
“Num passado recente, a alocação das famílias era mais próxima de um fundo de fundos, mas cada vez mais o portfólio vai ser 2.0, com mais ativos, é uma nova dinâmica. Obviamente, a gente vê lá fora a quantidade de ativos em relação aos fundos e no Brasil essa diferença é gritante, mas ela vai diminuir ao longo do tempo”, diz.
Como pano de fundo está o fim do diferimento tributário em fundos fechados exclusivos de gestão patrimonial das famílias endinheiradas. A partir deste ano, as estruturas passaram a ter a incidência do “come-cotas”, o pedágio que já era cobrado nos veículos condominiais abertos ao público geral. “Daniel vem com a capacidade desse olhar holístico, que vai ajudar na transição.” Ele vai ocupar o posto que até aqui era de Andrew Reider, que vai ficar dedicado à gestora de recursos do grupo.
Fonte: Valor Econômico

