VerdeMed fecha parceria com laboratório nacional Eurofarma para fornecer extrato de canabidiol
Por Maria Fernanda Salinet* e Mônica Scaramuzzo — De São Paulo
A Eurofarma fechou parceria com a VerdeMed, com sede no Canadá, para comercializar medicamentos à base de cannabis no Brasil. Com essa aliança, a farmacêutica de Maurizio Billi se junta à Hypera e Biolab para explorar o mercado que segue em expansão no país.
Ao Valor, José Bacellar, presidente da VerdeMed, disse que as negociações com a companhia começaram no ano passado – a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou a autorização no dia 6 de novembro.
“A parceria com a Eurofarma é muito importante porque vamos ganhar escala nacional. Uma coisa é estar com seus medicamentos em 600 farmácias. Outra é atingir 80 mil unidades em todo o país”, afirmou o executivo.
Com a aliança, a VerdeMed vai fornecer quatro extratos de canabidiol (CBDs) isolados para tratamento de epilepsia refratária, com concentrações diferentes, em meados de 2024. A Eurofarma ainda aguarda o término dos trâmites de importação e primeiros testes de qualidade.
Para a vice-presidente de Inovação da Eurofarma, Martha Novelli de Oliveira Penna, a parceria com a VerdeMed permite atender uma demanda cada vez mais frequente com a aplicação de terapias complementares. “É um segmento importante para a companhia. Com essa associação, temos a possibilidade de levar ao mercado um produto de alta qualidade.”
Apesar de a farmacêutica atuar em toda a América Latina, o lançamento inicial será apenas no Brasil, onde há uma regulação estruturada para a comercialização dos produtos. Os próximos passos serão dados conforme a legislação e os mercados de cada país.
Com crescimento de 122% nas vendas de produtos à base de cannabis no terceiro trimestre de 2023, o faturamento do varejo farmacêutico chegou a R$ 121,2 milhões entre janeiro e setembro, segundo dados compilados pela Associação Brasileira da Indústria de Canabinoides (BRCann) e extraídos da base do IQVIA, consultoria global especializada em auditar o varejo farmacêutico.
Já na indústria, as vendas somaram R$ 39,8 milhões no terceiro trimestre, alta de 120% sobre o mesmo período de 2022. De julho a setembro, 100.653 unidades de produtos foram vendidas nas farmácias, aumento de 121% sobre igual intervalo do ano passado.
No Brasil, a paranaense Prati Donaduzzi foi a pioneira na venda de canabidiol no varejo.
Entre os desafios da venda de produtos à base de cannabis estão o arcabouço regulatório, o cultivo da planta e a competição entre indústria e associação de pacientes, segundo a diretora-executiva da BRCann, Bruna Rocha.
Na regulamentação nacional, há uma norma que trata da importação de produtos realizada diretamente pelos pacientes e outra que regula a comercialização no varejo, na qual a Anvisa criou um modelo próprio para registros. “É o primeiro passo do Brasil para que produtos à base de cannabis sejam distribuídos com um crivo de segurança”, avaliou Rocha.
A proibição do cultivo da planta é um ponto que gera insegurança para investidores, apontou a executiva. Por outro lado, as associações de pacientes são autorizadas a plantar e a industrializar a cannabis. De acordo com Rocha, isso provoca desigualdade de competição. “A associação de pacientes e a indústria competem pelo mesmo mercado, sendo que um enfrenta várias ordens regulatórias, enquanto outra se baseia em decisões judiciais. A associação de pacientes se tornou um negócio, até porque precisa de um crivo regulatório.”
*Sob supervisão de Mônica Scaramuzzo
Fonte: Valor Econômico