Os EUA estão fazendo circular uma proposta de resolução do Conselho de Segurança da ONU alertando Israel contra uma “grande ofensiva terrestre” em Rafah – a cidade da Faixa de Gaza perto da fronteira egípcia, onde se refugiam cerca de 1,5 milhão de pessoas que fugiram do conflito em outras partes do enclave.
A medida representa uma rara crítica a Israel por parte dos EUA na ONU, refletindo a frustração do presidente Joe Biden com a condução da guerra contra o grupo terrorista palestino Hamas. Washington se opõe ao planejado ataque a Rafah, enquanto o governo israelense dá sinais de que não pretende abrir mão de seu plano.
A ação dos EUA na ONU também ocorre no momento em que Biden enfrenta uma pressão crescente internacionalmente dos principais aliados dos EUA – e, em nível interno, de legisladores democratas – para persuadir o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, a encerrar a guerra e adotar uma estratégia antiterrorista mais limitada contra o Hamas.
Embora os EUA estejam fazendo circular o projeto para obter o apoio mais amplo possível, não está claro se ou quando ele será votado pelo Conselho de Segurança. De acordo com o projeto de resolução, o Conselho de Segurança apoiaria “um cessar-fogo temporário em Gaza a ser iniciado o mais rapidamente possível, baseado na fórmula da libertação de todos os reféns” e “levantamento de todas as barreiras à assistência humanitária em grande escala”.
Netanyahu reiterou, também ontem, que não pagará “qualquer preço” pela libertação dos reféns tomados pelo Hamas em 7 de outubro – numa indicação de que não aceitará negociar o fim das ofensivas militares por longo prazo. Os ataques do grupo extremista palestino em outubro resultaram em 1,2 mil israelenses mortos. Já do lado palestino, autoridades de Gaza falam em 30 mil mortos.
A utilização de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU para apelar a uma mudança na estratégia de Israel representa um grande marco diplomático para os EUA, que normalmente defende Israel na organização e vetou recentemente uma resolução que apelava a um cessar-fogo. De acordo com o texto dos EUA, obtido pelo Financial Times, o conselho diria que “nas atuais circunstâncias uma grande ofensiva terrestre em Rafah resultaria em mais danos para os civis e no seu maior deslocamento, incluindo potencialmente para os países vizinhos”.
O projeto acrescenta que uma operação militar “teria sérias implicações para a paz e segurança regionais” e exige que “não prossiga nas atuais circunstâncias”. A notícia do projeto de texto foi divulgada pela primeira vez pela agência Bloomberg na segunda-feira.
Fonte: Valor Econômico