Por Nikkei Asia — Nova York e Taipei
31/03/2023 07h20 Atualizado há 2 horas
Os Estados Unidos e Taiwan estão mais próximos do que nunca, disse a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, a apoiadores durante uma escala em Nova York.
Tsai chegou a Nova York na quarta-feira a caminho da América Central e, no caminho de volta a Taipei, na próxima semana, fará uma parada em Los Angeles, onde deve se encontrar com o presidente da Câmara dos Estados Unidos, Kevin McCarthy, uma interação que a China alertou que pode levar a um ” confronto sério” nas relações entre Estados Unidos e China.
A visita ocorre quando as relações dos Estados Unidos com a China estão no que alguns analistas veem como seu pior nível desde que Washington normalizou os laços com Pequim em 1979 e renegou o reconhecimento diplomático de Taipei.
Pequim diz que Taiwan pertence a “uma só China” e, como província chinesa, não tem direito a laços de estado para estado. Taiwan contesta isso.
No que é sua primeira escala nos Estados Unidos desde 2019, Tsai elogiou as conquistas econômicas, de segurança e diplomáticas de Taiwan em um discurso a portas fechadas na noite de quarta-feira para taiwaneses estrangeiros em Nova York, disse seu escritório em um comunicado na quinta-feira, chamando a ilha de “farol da democracia na Ásia”.
“Em particular, a relação entre Taiwan e os Estados Unidos está mais próxima do que nunca”, disse ela, observando “progressos significativos” na cooperação econômica e de segurança.
Tsai disse que a Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC), a maior fabricante de chips por contrato do mundo, ao estabelecer uma fábrica em Phoenix, Arizona, demonstrou a força tecnológica da ilha.
Embora Taiwan enfrente “enormes desafios”, não ficará isolada, disse Tsai. Ela também agradeceu ao governo dos Estados Unidos por implementar acordos de segurança com Taiwan, incluindo nove vendas de armas anunciadas pelo governo do presidente Joe Biden.
Laura Rosenberger, presidente da sede em Washington do American Institute in Taiwan (AIT) – uma organização sem fins lucrativos administrada pelo governo dos Estados Unidos que mantém relações não oficiais com Taiwan – e o governador de Nova Jersey, Phil Murphy, também compareceram ao evento, de acordo com escritório de Tsai.
Tsai deveria falar em um evento do centro de estudos Hudson Institute na quinta-feira, segundo fontes, mas a embaixada de fato de Taiwan nos Estados Unidos disse que todos os seus compromissos em Nova York estão fechados para a imprensa e o público.
O Ministério da Defesa de Taiwan, em sua atualização diária sobre as atividades militares da China, disse que, de quarta a quinta-feira de manhã, não detectou nenhuma aeronave chinesa entrando na zona de defesa aérea de Taiwan ou cruzando a linha mediana do Estreito de Taiwan, que serve como uma barreira não oficial.
A força aérea da China voa quase diariamente para a zona de defesa aérea, ou através da linha mediana, na qual Taiwan chama de guerra de “zona cinza” projetada para testar e desgastar suas forças.
Um alto funcionário de segurança de Taiwan disse anteriormente que a ilha espera uma reação menos severa de Pequim a uma reunião de Tsai com McCarthy do que quando a então presidente da Câmara, Nancy Pelosi, visitou Taipei em agosto do ano passado, algo que levou a China a realizar grandes exercícios militares perto de Taiwan.
“Ela se reunirá nos Estados Unidos, então a complexidade política não é tão alta quanto a vinda do visitante americano a Taiwan”, disse o diretor-geral do Departamento de Segurança Nacional de Taiwan, Tsai Ming-yen, ao parlamento de Taiwan.
Ele acrescentou que Taiwan está realizando simulações de respostas a um aumento nas tensões enquanto a presidente está fora, inclusive quando ela está voando, e que ela pode ser contatada a qualquer momento para encontrar seus principais funcionários de segurança.
Um encontro com McCarthy seria o primeiro entre um líder taiwanês e um presidente da Câmara dos Estados Unidos em solo americano, embora seja visto como uma alternativa potencialmente menos provocativa à visita de McCarthy a Taiwan, algo que ele disse esperar fazer.
Como presidente da Câmara, McCarthy é o terceiro na hierarquia de sucessão de liderança dos Estados Unidos, e a China alertou repetidamente as autoridades americanas para não se encontrarem com Tsai, vendo isso como uma demonstração de apoio ao desejo da ilha de ser reconhecida como um país independente.
O porta-voz do Escritório de Assuntos de Taiwan da China, Zhu Fenglian, disse em Pequim na quarta-feira que se Tsai se encontrasse com McCarthy, a China “definitivamente tomaria medidas para revidar resolutamente”.
Já Xu Xueyuan, encarregado de negócios da embaixada da China em Washington, disse que tal reunião “poderia levar a outro confronto sério na relação entre China e Estados Unidos.”
Os Estados Unidos, como a maioria dos países, mantém apenas laços não oficiais com Taipei, mas a lei americana exige que o governo forneça à ilha os meios para se defender e facilita visitas de escala não oficiais.
Esta é a sétima passagem de Tsai pelos Estados Unidos desde que assumiu o cargo em 2016 e ocorre em meio a preocupações em todo o mundo de que a invasão da Ucrânia pela Rússia possa encorajar a China a se mover contra Taiwan.
A Casa Branca exortou a China na quarta-feira a não usar a escala “normal” de Tsai nos Estados Unidos como pretexto para aumentar a atividade agressiva contra Taiwan.
Fonte: Valor Econômico

