Após renovar 13 recordes em 2026 e acumular alta de 18,69% no ano até o pregão desta quarta-feira, 25 — depois de ter avançado 34% em 2025 — o Ibovespa, principal índice da B3, começa a enfrentar um novo questionamento entre gestores: o quanto ainda há de espaço para valorização?
Pesquisa do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) mostra uma mudança relevante na percepção sobre o valuation da referência acionária entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026. A fatia dos participantes que considera o Ibovespa próximo do “valor justo” subiu de 42% para 49% no período.
Ao mesmo tempo, cresceu de forma expressiva o grupo que enxerga o mercado como “sobrevalorizado”, de 5% para 31%. Em contrapartida, a visão de que o índice estava “subavaliado” perdeu força — em novembro, 50% viam o Ibovespa como barato, agora o percentual caiu para 21% em fevereiro.
O levantamento foi realizado paralelamente à Conferência de CEOs do banco, em São Paulo, em um momento de forte recuperação da bolsa brasileira. O início do ano foi marcado por uma alta de 18% no acumulado, impulsionada principalmente por grandes empresas, como Vale e Petrobras, que vinham subponderadas nas carteiras.
Apenas em janeiro, houve ingresso de cerca de US$ 6 bilhões no mercado acionário brasileiro, segundo o banco, volume equivalente ao total dos fluxos de 2025.
Os dados mais recentes reforçam essa tendência. Até 20 de fevereiro, o fluxo externo acumulado soma R$ 9,2 bilhões no mês e R$ 35,5 bilhões em 2026.
Clima no mercado é de maior cautela
Segundo a pesquisa, 67% dos gestores relatam fluxos estáveis em seus fundos — abaixo dos 77% observados em novembro — enquanto as entradas em ritmo lento subiram de 17% para 24%, e passaram a aparecer 1% de entradas em ritmo forte. Ao mesmo tempo, surgem 3% de relatos de saídas aceleradas e 6% de saídas moderadas, indicando um quadro mais equilibrado na captação.
Apesar do desempenho expressivo da bolsa, o sentimento ficou mais cauteloso. Em novembro, 48% dos entrevistados se declaravam otimistas e 3% muito otimistas, enquanto 37% estavam neutros.
Já em fevereiro, os otimistas recuaram para 33%, com apenas 3% muito otimistas, e os neutros passaram a 40%. O grupo pessimista também cresceu: 18% se disseram pessimistas e 6% muito pessimistas, ante 8% e 3%, respectivamente, no fim de 2025.
No recorte setorial, serviços públicos e financeiros continuam como os preferidos na categoria “long” (posições compradas), ambos com 32% das menções. Entre as ações mais citadas para compra aparecem Axia, BTG Pactual e Copel.
Do lado das posições vendidas, recursos básicos e petróleo seguem entre os setores mais apontados, além do varejo (16%). As00 ações mais mencionadas como “shorts” são Vale, Ambev e Petrobras.
Eleições no radar
A pesquisa do BTG também capturou a percepção em relação ao cenário político. Questionados sobre a probabilidade de vitória do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026, os entrevistados atribuíram, em média, 60% de chance — acima dos 50% registrados na pesquisa anterior.
Ainda assim, o levantamento destaca um ambiente polarizado e uma disputa em aberto. O nome mais citado como provável candidato da oposição é Flávio Bolsonaro, com 81% das respostas.
Entre as apostas condicionais ao resultado eleitoral, gestores apontam Banco do Brasil, XP e Petrobras como preferidas em um cenário de vitória da oposição, no campo da centro-direita. Já em caso de reeleição de Lula, Suzano, Itaú e WEG aparecem como as ações favoritas.
Fonte: Exame
