Em dois anos, a empresa fez outras cinco parcerias a fim de trazer produtos de fora, mas no modelo de licenciamento, que envolve apenas a distribuição
Ao seguir a estratégia adotada há dois anos de diversificar a operação, a brasileira EMS fechou seu primeiro contrato para representação de medicamento de uma farmacêutica internacional. Nesse período, a empresa fez outras cinco parcerias a fim de trazer produtos de fora, mas no modelo de licenciamento, que envolve apenas a distribuição.
No caso da representação, o acordo permite também comercialização, divulgação, relacionamento com médicos e, em caso de aumento de vendas, parte desse ganho fica com a EMS. A farmacêutica fechou um contrato com a americana i-Health, Inc., divisão da dsm-firmenich, para assumir a gestão de um probiótico chamado Culturelle. Até então, esse produto era representado pela Cellera Farma.
Segundo Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS, o probiótico Culturelle movimenta vendas de R$ 80 milhões por ano, e a meta é chegar em R$ 300 milhões em até cinco anos. “As vendas estavam estagnadas. Em outros países, como Alemanha, o probiótico já é recomendado junto com outros medicamentos, por exemplo, antibiótico, para proteger a flora intestinal. Queremos fazer um trabalho junto aos médicos para difundir esse conhecimento”, disse o executivo.
O mercado nacional de probióticos movimentou R$ 1,6 bilhão, com 45 milhões de unidades vendidas, no ano passado, segundo dados da consultoria Close-Up. “É um segmento que cresce em média 10% ao ano, acima do setor. Há muitas pesquisas e descobertas sendo reveladas. Muito se fala que o intestino é segundo cérebro”, disse Sanchez.
Há estudos globais indicando uma relação entre a microbiota intestinal e doenças como Parkinson, Alzheimer, depressão e ansiedade. No mundo, estima-se que o mercado de probióticos atinja US$ 88 bilhões nos próximos quatro anos. Uma empresa brasileira que está desenvolvendo produtos nessa área é a biotech Nintx, que usa ingredientes bioativos extraídos de plantas, aproveitando a rica biodiversidade do país, para produzir medicamentos.
A Nintx tem investidores relevantes como o cientista Fernando Reinach, Guilherme Leal e Pedro Passos (Natura), Candido Bracher (ex-Itaú Unibanco), Eduardo Vassimon (ex-Itaú BBA) e Peter Andersen (Centroflora).
A EMS já tem outros dois probióticos, mas não concorrem com o Culturelle que se posiciona num segmento mais premium, com tíquete médio na casa dos R$ 150.
Entre os acordos de licenciamento, a EMS está em tratativas finais junto a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) para trazer o Quviviq, um medicamento para sono concorrente do Zolpiden. A parceria para trazer o novo remédio da farmacêutica suíça Idorsia envolveu um desembolso de US$ 20 milhões por parte da EMS.