Por Dow Jones — Nova York
19/07/2023 15h56 Atualizado há 19 horas
Um grupo de empresas de capital de risco dos Estados Unidos está sendo investigado por um comitê do Congresso sobre o financiamento de companhias de tecnologia da China – parte de um esforço em Washington para analisar e potencialmente proibir acordos com empresas chinesas.
O comitê da Câmara sobre a ameaça da China notificou nesta semana as empresas de capital de risco GGV Capital, GSR Ventures, Walden International e Qualcomm Ventures – o braço de investimento da empresa de chips de mesmo nome – que o painel está examinando os investimentos destas companhias em empresas chinesas envolvidas em semicondutores, inteligência artificial e computação quântica.
Segundo o comitê, as empresas chinesas que recebem dinheiro de companhias dos EUA ameaçam a segurança nacional do país e estão envolvidas em violações dos direitos humanos. Devido a isso, o grupo considera que os investimentos “contribuem diretamente” para os abusos dos direitos humanos, para a modernização militar da China e para o esforços de Pequim para assumir a liderança tecnológica mundial, segundo cartas enviadas para as empresas notificadas.
A GSR disse que os sócios que trabalharam nos negócios em questão não estão mais na empresa. A GGV se recusou a comentar, enquanto as outras duas empresas não responderam aos pedidos de comentários até o fechamento da reportagem.
Criado neste ano e formalmente conhecido como Comitê Seleto sobre o Partido Comunista Chinês, o comitê do Congresso americano está cada vez mais voltado a analisar o envolvimento de empresas americanas na China. O grupo de trabalho marca uma mudança de postura em Washington, que antes apoiava o estreitamento dos laços comerciais com a China.
Embora o comitê não tenha autoridade para legislar, ele tem poderes para intimar.
O Senado dos EUA está discutindo uma emenda apresentada pelos senadores Bob Casey e John Cornyn a um projeto de lei que exigiria que investidores americanos notifiquem sobre investimentos em certas empresas na China e em outras nações adversárias. A Casa Branca também está trabalhando em uma ordem executiva sobre o controle de investimentos externos em determinados setores.
As cartas de notificação acusavam a GGV e a Qualcomm Ventures de terem investido na Megvii Technology e na SenseTime, respectivamente. Essas empresas de inteligência artificial, que fornecem tecnologia de reconhecimento facial, estão entre as 28 entidades chinesas que o governo Trump colocou em uma lista negra de exportação em 2019, citando atuação na assistência à repressão de minorias muçulmanas na região de Xinjiang.
O comitê também cita nas cartas o investimento da Walden na Semiconductor Manufacturing International Corp., ou SMIC, a maior fabricante de chips da China. Os EUA. em 2020, restringiram as exportações ao SMIC devido ao apoio aos militares chineses. A GSR foi citada por investimentos em inteligência artificial e empresas de semicondutores.
As empresas de tecnologia chinesas não responderam aos pedidos de comentários. A embaixada chinesa em Washington disse que “os EUA politizaram questões econômicas e tecnológicas, violando seriamente os princípios da economia de mercado”. A representação chinesa na capital americana criticou o comitê seleto por “espalhar a teoria da ‘ameaça da China’ e fazer ataques caluniosos ao Partido Comunista da China”.
Fonte: Valor Econômico

