A brasileiro-uruguaia PUCMED pretende abrir capital na bolsa de Toronto, no Canadá, e não descarta um IPO também na B3
Por Fernanda Pressinott — De São Paulo
06/02/2023 05h01 Atualizado há 3 horas
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Plantação de cannabis da PUCMED no Uruguai: empresa investe em um mercado potencialmente bilionário no Brasil — Foto: Divulgação
A startup brasileiro-uruguaia Productora Uruguaya de Cannabis Medicinal (PUCMED), que produz flores de cannabis e biomassa para fins industriais, medicinais e científicos, pretende abrir capital na bolsa de Toronto, no Canadá. A depender de outros sócios, a empresa não descarta fazer uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) também na B3, no Brasil.
A PUCMED mantém sua sede de negócios em Curitiba e concentra sua produção na Zona Franca de Florida, no Uruguai. Fundada em 2019, a companhia tem como objetivo se transformar no primeiro unicórnio (startups avaliadas em pelo menos US$ 1 bilhão) da indústria da cannabis na América Latina. Em seu projeto, a companhia prevê faturar US$ 13 milhões em 2023, U$$ 28 milhões no ano que vem e US$ 42 milhões em 2025.
Com a produção toda concentrada no Uruguai, a empresa conta com uma área com 15 hectares para o cultivo de flores de cannabis, que seguem padrões globais de excelência para uso medicinal. São 11 mil metros quadrados de estufas climatizadas, com produção semi-hidropônica, e 10 mil metros quadrados de área aberta para cultivo ecológico desenvolvido somente com produtos autorizados pela União Europeia.
“Além da nossa produção própria, recentemente acertamos o direito de compra de flores e biomassa de cannabis de um parceiro estratégico. Com isso, contamos hoje com o maior estoque da América Latina, com potencial para produzir mais de 2 milhões de frascos e produtos à base de cannabis”, diz, em nota, Alfonso Cardozo Ferretjans, CEO e fundador da empresa.
Segundo ele, em parceria com associações e atendendo importações individuais, a PUCMED tem capacidade para tratar mais de 7 mil pacientes por mês e quer chegar a 22 mil no fim de 2023. “Com a venda de flores e biomassa para a extração de fitocanabinoides, com os quais são produzidos os óleos, conseguimos tratar de patologias como epilepsia, Parkinson, esclerose múltipla, dores crônicas, Alzheimer, insônia e ansiedade, além de patologias ginecológicos e odontológicos, como o bruxismo”, afirma o especialista.
Novas frentes de negócio
No Brasil, além de oferecer os produtos, a PUCMED criou uma nova empresa no fim de 2022, a Anna Medicina Endocannabinoide, um marketplace para a aquisição de produtos com canabidiol. A startup também montou espaços físicos sobre o tema, localizados na Santa Casa e no Eco Medical Center, ambos em Curitiba. Até o fim de 2024, a empresa quer contar com pelo menos 50 centros de acolhimento Anna espalhados pelo Brasil.
Em dezembro do ano passado, a PUCMED assinou um convênio com a Belcher Farmacêutica, de Maringá (PR), especializada no desenvolvimento, fabricação e distribuição de medicamentos complexos, com foco na produção de fármacos à base de canabidiol. “Com isso, as empresas passam a trabalhar para o desenvolvimento do mercado brasileiro, utilizando toda a expertise farmacêutica da Belcher e a excelência na produção de flores de cannabis que transformaram a PUCMED em uma referência global”, destaca o CEO.
A startup também assinou um convênio com o Instituto de Tecnologia do Estado do Paraná (TECPAR), que tem como objetivos a troca de experiências e informações e transferência de tecnologias para o desenvolvimento de pesquisas na área da cannabis.
Mercado
O mercado da cannabis medicinal poderá atingir US$ 30 bilhões ao ano no Brasil a partir de 2030, segundo projeção da Associação Brasileira das Indústrias de Cannabis (Abicann). Esse número leva em consideração o atendimento de 18 milhões de brasileiros.
A consultoria Kaya Mind estima que, após o quarto ano da legalização, a cannabis medicinal poderia movimentar R$ 9,5 bilhões ao ano no país. A entidade também é mais otimista em relação ao número de pessoas que poderiam se beneficiar com os tratamentos: quase 40% da população do Brasil, ou 78 milhões de pessoas, considerando as comprovações do tratamento em diversas enfermidades.
Fonte: Valor Econômico