9 Jan 2024 ALINE BRONZATI CORRESPONDENTE EM NOVA YORK
Os números sobre vagas relativas a dezembro confundem Wall Street, mas receio de recessão faz maioria do mercado apostar em queda a partir de março.
Dados robustos do mercado de trabalho nos Estados Unidos em dezembro fizeram Wall Street dar um passo atrás no otimismo com o início do corte das taxas de juros. Mas foi por pouco tempo. Alguns componentes, como a revisão em baixa nos dois meses anteriores, e a temperatura mais branda do setor de serviços no país serviram de contraponto e realimentaram temores de recessão na maior economia do mundo, o que fez com que março voltasse ao foco de investidores para o início do esperado processo de flexibilização monetária americana.
O relatório sobre a criação de vagas de emprego, chamado de payroll, apontou a abertura de 216 mil vagas em dezembro, informou ontem Departamento do Trabalho americano. O resultado ficou bem acima da mediana das expectativas de analistas consultados pelo Projeções Broadcast, de 175 mil novos postos de trabalho. O salário cresceu um pouco abaixo do esperado, com avanço de 4,1% na comparação anual em dezembro, ante expectativa de alta de 3,9%. Por outro lado, houve revisão para baixo de 71 mil vagas nos meses de outubro e novembro, e vários analistas destacaram que vagas de governo e do setor de saúde puxaram o número para cima.
A surpresa com o payroll voltou a embaralhar as apostas para o início do corte de juros nos EUA. “Suspeito que tanto o mercado quanto o Federal Reserve vão considerá-lo (o relatório) perturbador”, disse o conselheiro econômico da Allianz, Mohamed El-Erian, na esteira da publicação. E foi o que aconteceu. Maio voltou a duelar com março como a data mais provável para o início do corte das taxas nos EUA, conforme apontou levantamento da plataforma CME Group, que monitora o comportamento da curva futura dos juros.
Uma queda nas taxas nos EUA é interessante para o Brasil e deve renovar a entrada de capital externo na Bolsa de Valores brasileira neste ano.
REVERSÃO. No entanto, a trégua no otimismo de Wall Street teve vida curta, após dados do setor de serviços nos EUA virem mais fracos. O índice de gerentes de compras, que mede a atividade do setor de serviços, caiu de 52,7 em novembro para 50,6 em dezembro, abaixo da projeção de 52,6.
O dado foi lido como um sinal de que a maior economia do mundo ainda não está livre dos riscos de recessão. Por sua vez, voltou a mexer nas expectativas para os juros nos EUA. As chances de que o primeiro corte ocorra em março chegaram a superar os 70% novamente após os dados do índice de serviços, segundo a plataforma CME Group. •
EUA criaram 216 mil vagas em dezembro, número acima das projeções do mercado, de 175 mil
Fonte: O Estado de S. Paulo
