Só ontem, companhia da família Bueno fez três compras
Por Beth Koike — De São Paulo
12/04/2022 05h01 Atualizado há 6 horas
A Viveo, distribuidora e fabricante de insumos hospitalares controlada pela família Bueno, anunciou ontem mais três aquisições – Famap, Life e PHD Produtos Hospitalares – que juntas somam R$ 365,5 milhões.
Nos últimos 15 meses, a companhia comprou 15 empresas que totalizam investimentos de R$ 1,7 bilhão. Os ativos acrescentaram R$ 2,5 bilhões à receita da Viveo, que é dona da fabricante Cremer e da distribuidora Mafra, entre outras marcas.
Com a inclusão da Famap e da Life em seu portfólio, a Viveo entra num novo mercado: oferta de medicamentos, dietas e tratamentos conforme a demanda de cada paciente. A empresa envia aos hospitais, por exemplo, a dieta nutricional já preparada e os remédios dosados de acordo com a prescrição médica. Atualmente, as distribuidoras encaminham aos hospitais os medicamentos, insumos e a alimentação em grande escala, não de forma individualizada. Esse trabalho é feito pelos hospitais em suas áreas de farmácia, nutrição etc.
“Trata-se de um serviço de alto valor agregado, que melhora nossa margem. Queremos cada vez mais ofertar esse tipo de serviço, que ainda é escasso no Brasil”, explicou Leonardo Byrro, presidente da Viveo.
A meta da companhia é que a representatividade desse braço de negócio aumente dos atuais 3% para 10% do faturamento nos próximos anos. Até então, essa área da empresa prestava apenas serviços de gestão de logística de medicamentos e insumos para hospitais.
No Brasil, o setor de logística de medicamentos e insumos ainda é bastante pulverizado, o que tem feito esse mercado passar por um forte processo de consolidação. Além da Viveo, a Elfa, controlada pela gestora de private equity Pátria, também vem promovendo aquisições em série.
No mundo, a maior companhia nesse mercado é a americana Caps Pharmacy, cuja receita é da ordem de US$ 500 milhões. A Caps tem 22 unidades regionais e outras três com presença nacional nos Estados Unidos. A Viveo firmou uma parceria com a alemã B/Braum, dona da Caps, para desenvolvimento de cooperação técnica.
Com sede em Minas Gerais, a Famap é especializada em nutrição parenteral, e a Life atua nas áreas de diálise, quimioterapia, entre outras. “As máquinas é que fazem as separações. Essa automatização ajuda a evitar erros, contaminações cruzadas. As formulações são preparadas de forma automatizada, com técnicas assépticas”, disse Flavio Leal, diretor executivo da Viveo.
As aquisições da Famap e Life demandaram investimento de R$ 277,8 milhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) combinado é de R$ 58 milhões.
Já a compra da distribuidora de medicamentos PHD, fundada em Porto Alegre (RS), ficou em R$ 87,7 milhões e seu Ebitda é de R$ 17,5 milhões. O negócio de distribuição ainda representa a maior fatia do faturamento da Viveo.
No ano passado, a companhia registrou uma receita líquida de R$ 6,2 bilhões, o que representa um incremento de 41% na comparação com 2020. Esse desempenho foi influenciado pelas aquisições, mas o grupo também teve crescimento orgânico, com alta de 14%. O lucro líquido ajustado passou de R$ 131,8 milhões para R$ 395,1 milhões no mesmo período.
A companhia abriu seu capital em meados do ano passado, levantando R$ 2 bilhões. Em outubro, o conselho de administração aprovou uma emissão de debêntures simples de R$ 530 milhões que vão capitalizar ainda mais o grupo, que encerrou o ano passado com um caixa líquido de R$ 72,5 milhões.1 de 1 Leonardo Byrro, da Viveo: entrega de medicamentos, dietas e outros serviços conforme demanda de cada paciente — Foto: Divulgação
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