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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,70% em fevereiro, acelerando em relação à alta de 0,33% registrada em janeiro. O resultado refletiu principalmente pressões sazonais em educação, enquanto alimentação no domicílio surpreendeu para cima, segundo avaliações de economistas.
A economista Basiliki Litvac, da 4intelligence, explica que a alta do indicador já era esperada em razão do reajuste anual das mensalidades escolares. Em fevereiro, o grupo educação avançou 5,21%, com destaque para a elevação de 6,18% nos cursos regulares. O movimento impulsionou o grupo de serviços, que subiu 1,51% no mês.
Além da educação, outros itens ligados a serviços contribuíram para a inflação, como o aumento de 11,40% nas passagens aéreas, de 5,62% no seguro voluntário de veículos e de 1,80% no transporte por aplicativo, destaca Litvac. Esses avanços foram parcialmente compensados pela queda de 3,90% em cinema, teatro e concertos, reflexo de uma semana promocional com ingressos mais baratos.
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Segundo o IBGE, educação e transportes juntos responderam por 0,46 ponto percentual ou 65,7% da alta. Já as passagens aéreas foram responsáveis por 11,40% da alta. “O turismo foi muito forte no Brasil neste início de ano, então isso pode ter aumentado a demanda. Além disso, teve Carnaval”, afirmou.
Os preços de frutas caíram 2,78% em fevereiro, influenciadas pelo mamão. O efeito também foi de -0,03 ponto percentual. O efeito conjunto, portanto, foi de 0,06 ponto percentual, ou 8,5% da taxa de 0,70%.
Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, destaca que o índice de fevereiro ainda não incorporou possíveis efeitos do conflito no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis. Mesmo sem reajustes nas refinarias, há relatos de aumentos nos postos. Ainda assim, a gasolina registrou queda de 0,61% no período.
Entre os componentes que surpreenderam as projeções, está a alimentação no domicílio. Segundo Litvac, a queda de produtos in natura não foi suficiente para compensar as altas de alimentos industrializados e semielaborados. Para João Savignon, da Kínitro Capital, a alimentação também veio um pouco acima do esperado, mas com desvios pontuais.
Já os bens industriais recuaram menos que o esperado, embora tenham contado com alívio em itens como automóveis novos e usados, aparelhos telefônicos e etanol, aponta Litvac.
O economista Fabio Romão, da Logos Economia , ressalta que o grupo habitação passou de queda de 0,11% em janeiro para alta de 0,30% em fevereiro, influenciado pelo aumento da energia elétrica e por reajustes de água e esgoto. Já vestuário saiu de retração de 0,25% para alta de 0,16%, movimento associado ao fim das promoções típicas do início do ano.
Apesar do resultado mais forte, o índice de difusão, que mede o percentual de itens com aumento de preços, recuou de 64% em janeiro para 61% em fevereiro, o que, segundo Leal, indica influência relevante de fatores pontuais.
“A gente está com um número muito poluído, seja por causa da queda da energia elétrica em janeiro, seja por causa da educação em fevereiro. Eu acho que em março a gente vai ter uma cara melhor da inflação, a depender, obviamente, da questão dos combustíveis”, destacou Leal.
Para março, economistas esperam desaceleração da inflação. A projeção da 4intelligence aponta alta de 0,30% no IPCA, puxada principalmente pela reversão do impacto da educação e pela queda nas passagens aéreas. No sentido oposto, devem continuar pressionando o índice as altas em alimentação no domicílio, a recomposição de preços de cinema e espetáculos após a semana promocional e reajustes de energia elétrica no Rio de Janeiro.
A Logos Economia também prevê desaceleração, com alta de 0,38% para o IPCA de março e uma inflação de 4,2% em 2026, considerando o impacto de medidas anunciadas nesta quinta-feira (12) pelo Governo Federal, que zerou PIS/Cofins do diesel. Romão ainda indica risco de uma pequena alta nos transportes em março, na esteira dos reajustes de mercado da gasolina, que pesa mais que o diesel diretamente. No entanto, não se espera um impacto tão grande quanto o registrado no setor em fevereiro. Para Litvac, um aumento de 10% na gasolina teria um impacto direto de cerca de 0,15 ponto percentual no IPCA.
Apesar das incertezas, a expectativa predominante no mercado é de início do ciclo de cortes da taxa básica de juros nas próximas reuniões do Banco Central. Para Leal, a tarefa será difícil para o Copom na próxima reunião, quando precisará ponderar o cenário de inflação com as incertezas de uma guerra em andamento.
A expectativa da G5 Partners é de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros, menor que a redução de 0,50 ponto percentual esperada antes do conflito. Para o IPCA de 2026, a projeção é de alta de 4,20%, que, na avaliação do economista, já deve conseguir absorver parte do impacto do conflito.
O economista Savignon também acredita que o Banco Central tem “boas razões para fazer um corte mais moderado” e, por isso, também aponta uma redução de 25 pontos.
Mesmo com incerteza sobre o petróleo, a possibilidade de arrefecimento das cotações da commodity, a apreciação cambial, bem como os efeitos defasados da Selic sobre a formação dos preços apontam maior probabilidade de que este ciclo de cortes já se inicie em março, diz Romão.
Fonte: Valor Econômico
