Em live da série RH 4.0, Vanessa Grossi explica como a multinacional criou um programa para flexibilizar o dia a dia, do administrativo ao chão de fábrica
Por Jacilio Saraiva, Para o Valor
21/06/2022 16h43 Atualizado há um dia
“Nas linhas de operação [que exigem a presença de empregados nos locais], a flexibilidade pode acontecer de outras formas, com novas escalas de turnos”, disse Vanessa Grossi, diretora de RH para a Dow na América Latina, em live da série RH 4.0 do “Carreira em Destaque”, mediada pela editora de Carreira do Valor, Stela Campos. Desde o ano passado, a multinacional do setor químico adota um modelo de trabalho em que líderes e funcionários, do administrativo ao chão de fábrica, podem escolher juntos quando, onde e como as atividades, sempre que possível, serão feitas.
A Dow produz um portfólio de plásticos, poliuretanos, soluções industriais, revestimentos e silicones para segmentos de mercado como embalagens, infraestrutura, cosméticos, automotivo, higiene e limpeza. Opera 104 unidades fabris em 31 países e emprega cerca de 36 mil pessoas, em todo o mundo – na América Latina são três mil funcionários, sendo dois mil no Brasil. Em 2021, gerou aproximadamente US$ 55 bilhões em vendas.

“É tabu dizer que é difícil para a indústria aderir ao expediente híbrido”, diz RH da Dow
De acordo com Grossi, na empresa desde 2010, os primeiros desenhos dos formatos de produção mais maleáveis começaram a ser construídos em agosto de 2020. Em outubro de 2021, a companhia lançou o “Design your day” (DYD ou desenhe o seu dia, do inglês), iniciativa que engloba padrões de expedientes acordados com as chefias e a ampliação das licenças remuneradas.
“Não se trata de uma ação do departamento de RH e nem é uma ‘política’ de flexibilidade”, destacou. “É uma mudança de mentalidade endossada por toda a liderança.”
O movimento, disse a executiva, leva em conta as leis trabalhistas de cada país. Contratos de teletrabalho, por exemplo, tiveram de ser ajustados para funcionários que preferem produzir de casa por três ou mais dias por semana. As equipes recebem apoio para a compra de equipamentos de escritório (mesa, cadeira e estabilizador) e um bônus mensal de conexão à internet. Na escolha dos horários para trabalhar, podem escolher turnos no período de 6h às 21h.
No Brasil, a Dow iniciou um plano de retorno aos escritórios em abril. O grupo tem operações em São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Pará. A presença dos funcionários administrativos está estimada em 20% a 25% da população que ia às lajes antes da pandemia. O número está alinhado com a quantidade de profissionais que freqüentam a matriz, nos Estados Unidos, com taxas de 25% a 30% de comparecimento, afirmou. “A realidade é que a pandemia ainda está aí.”
Um aplicativo, disse Grossi, ajuda o funcionário que deseja ir ao escritório a “marcar” uma mesa para trabalhar. O grupo não tem salas individuais ou divisórias nas dependências da sede em São Paulo.
Outra maneira encontrada a fim de garantir mais mobilidade ao quadro foi ampliar a oferta de licenças remuneradas, em vigor desde o segundo semestre de 2021. A licença parental passou a ser de 16 semanas, para todos os novos pais. Contempla pais adotivos e é oferecida a homens cisgêneros, transgêneros e casais homoafetivos. Em todos os casos, há um período de um ano para que o benefício seja usufruído.
A pandemia contribuiu para que percebêssemos ainda a necessidade de novas categorias de dias livres, explicou. Criou a licença familiar ampliada, em que os funcionários ganham o direito a 120 horas de folga remunerada para cuidar de um parente doente ou ir ao médico; e a pausa para o voluntariado, de 12 horas, que incentiva o trabalho humanitário. A Dow tem, pelo menos, dez times de afinidade e boas práticas, e Grossi também é “chair” do WIN, grupo que fomenta a equidade de gênero na companhia.
Novos formatos de treinamento também estão no radar. Uma das novidades é a utilização de avatares, alimentados por recursos de inteligência artificial, para a capacitação da liderança. Um projeto piloto, que aborda conversas inclusivas, já foi feito e a expectativa é que, até o final do ano, 200 gestores na América Latina passem pela experiência. “É tão real que cheguei a acreditar que havia mesmo uma pessoa do outro lado da tela”, afirmou.
fonte: Valor Econômico