O presidente da distrital de Minneapolis do Federal Reserve (Fed), Neel Kashkari, afirmou nesta terça-feira que é necessário manter as taxas de juros estáveis nos Estados Unidos até que haja mais clareza sobre como as tarifas comerciais mais altas afetam a inflação e, assim, alertou contra a ideia de “ignorar” o impacto do choque tarifário nos preços. De acordo com o dirigente, o choque provocado pela guerra comercial, além da incerteza, está forçando os bancos centrais a decidirem se devem priorizar o combate à inflação ou o apoio à atividade econômica.
Em um “debate saudável” em andamento dentro do Fed, alguns dirigentes defendem “olhar além” — ou seja, desconsiderar por ora — o impacto das tarifas por serem um choque transitório de inflação, priorizando o apoio ao crescimento econômico por meio de cortes nos juros, disse Kashkari. Outros, no entanto, são contrários a ignorar a inflação induzida pelas tarifas como algo temporário, argumentando que as negociações comerciais dos EUA provavelmente não serão resolvidas de forma rápida, afirmou o dirigente, que se incluiu no segundo grupo.
“Pode levar meses ou anos para que as negociações sejam concluídas totalmente e pode haver aumentos tarifários recíprocos à medida que os parceiros comerciais respondem uns aos outros”, alertou o dirigente ao participar de painel organizado pelo Banco do Japão (BoJ) nesta terça-feira. O impacto completo das tarifas aplicadas a bens intermediários levará tempo para se refletir nos preços finais, acrescentou o dirigente.
Com a inflação nos EUA acima da meta de 2% há quatro anos, há preocupações sobre quanto tempo as expectativas de inflação de longo prazo podem continuar ancoradas, afirmou Kashkari. “Esses argumentos sustentam uma postura de manutenção das taxas de juros — que provavelmente estão apenas modestamente restritivas no momento — até que haja mais clareza sobre o rumo das tarifas e seu impacto sobre os preços e a atividade econômica”, disse. “Pessoalmente, considero esses argumetnos mais convincentes, dado o valor primordial que atribuo á defesa das expectativas inflacionárias de longo prazo.”
Fonte: Valor Econômico
