Contrato de autoprodução tem duração de 15 anos e permitirá que a fabricante tenha uma redução de 8% ao ano nos gastos com eletricidade
— De São Paulo
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A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, maior produtora de insulina do mundo e fabricante do Ozempic, fechou contrato de 15 anos com a Elétron Energy, empresa que atua em geração e comercialização de energia, para a construção de um parque solar de grande porte no Norte de Minas Gerais para abastecer toda a demanda da fábrica de medicamentos de Montes Claros (MG).
Neste arranjo societário, a Elétron fará investimento de R$ 245 milhões e o pagamento será feito pela locação da usina, ou seja, um acordo diluído no tempo, referente à autoprodução de energia por arrendamento. Denominada Usina Fotovoltaica Riacho, a unidade ficará em Buritizeiro (MG) e terá capacidade instalada de 75 megawatt-pico (MWp), podendo ser ampliada para 100 MWp.
As licenças da usina já foram emitidas e as obras de terraplanagem começaram. A previsão é que a usina inicie a operação comercial no começo de 2025 e utilize o Sistema Interligado Nacional, por meio de linha da Cemig, para injetar a energia na rede.
Ao Valor, o vice-presidente corporativo da Novo Nordisk, Reinaldo Costa, diz que o objetivo é descarbonizar a produção no Brasil, com a previsão de que a companhia tenha redução de 46 mil toneladas de CO2 por ano ao utilizar apenas energia renovável para produção de medicamentos. Ele acrescenta que isso faz parte da estratégia global da empresa em que todas as unidades fabris espalhadas pelo mundo precisam ter um consumo sustentável em suas operações.
Neste modelo de autoprodução, há também ganhos financeiros. No período de uma década e meia, a previsão é de uma redução de 8% ao ano nos gastos com energia. Isso ocorre, principalmente, porque as empresas que aderem a este arranjo deixam de pagar alguns encargos setoriais, o que as torna mais competitivas. Por outro lado, como os custos do sistema permanecem os mesmos, o montante acaba sendo rateado pelos demais consumidores.
O interesse das companhias no Brasil por esse tipo de acordo começou com empresas intensivas em energia, como mineradoras, cimenteiras, siderúrgicas, entre outras. Entretanto, outros segmentos têm migrado numa espécie de “corrida do ouro”, já que se discute no setor elétrico a redução deste subsídio. Só em 2024, importantes contratos foram anunciados, como a parceria da Casa dos Ventos com a Ypê e da Comerc com a Grendene.
“O viés econômico é importante, mas não foi o principal vetor desta ação, já que há uma estratégia da companhia de criar alternativas sustentáveis (…). A usina trará benefícios à cidade de Buritizeiro, que ainda tem um IDH baixo”, diz.
Temos aprovado o financiamento de 50% do projeto com recursos do BNB”
— André Cavalcanti
Isso porque a comunidade ganha com a geração de empregos durante a fase de construção e há contrapartidas socioambientais.
Os projetos de autoprodução no Brasil têm sido o principal canal de expansão do setor elétrico, com contratos principalmente de energia eólica e solar. Tais empreendimentos geralmente são financiados a partir de contratos-âncora entre as empresas consumidoras e geradoras, que viabilizam os novos negócios para reduzir a volatilidade e incerteza dos preços da energia.
No caso desta usina solar, o CEO da Elétron Energy, André Cavalcanti, conta que o projeto foi gestado a partir das conversas entre as duas empresas e que os recursos já estão garantidos. “Já temos aprovado o financiamento de 50% do projeto com recursos do Banco do Nordeste (BNB), que é o limite atual para empreendimento de energia. A diferença será feita com recursos próprios”, diz Cavalcanti.
Ele afirma que a Novo Nordisk fez ainda demandas para que o projeto tenha ações ambientais, já que será construído em uma área degradada e precisará de recuperação e plantio de árvores nativas e espaço ecológico de 40 hectares.
Fonte: Valor Econômico