O valor dos empréstimos de quitação duvidosa de imóveis comerciais ultrapassou o das provisões para cobertura de perdas nos maiores bancos dos Estados Unidos depois de um forte aumento no volume de pagamentos atrasados relativos a escritórios, shopping centers e outras propriedades.
Segundo informes à Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC, que faz seguro de depósitos), as provisões de J.P. Morgan Chase, Bank of America (BofA), Wells Fargo, Citigroup, Goldman Sachs e Morgan Stanley caíram de US$ 1,60 para US$ 0,90 para cada dólar de dívida na área dos imóveis comerciais em que o respectivo devedor está com pagamentos atrasados em pelo menos 30 dias.
A forte deterioração aconteceu no ano passado, depois que a inadimplência da dívida imobiliária comercial nos seis grandes bancos quase triplicou, subindo para US$ 9,3 bilhões.
Michael Barr, que comanda a área de supervisão bancária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), disse na sexta-feira que os reguladores “têm concentrado sua atenção na concessão de créditos pelos bancos para o setor imobiliário comercial”. Isso inclui verificar “como eles informam seus riscos” internamente e se “fazem provisões adequadas e têm capital suficiente” para se proteger de possíveis perdas futuras com empréstimos imobiliários comerciais”.
No setor bancário americano em geral, o valor dos empréstimos com parcelas não pagas ligados a escritórios, shopping centers, apartamentos e outras propriedades comerciais mais do que duplicou no último ano, para US$ 24,3 bilhões, enquanto um ano antes era de US$ 11,2 bilhões.
Pelos dados da FDIC, hoje os bancos dos EUA têm reservas de US$ 1,40 para cada dólar de empréstimos imobiliários comerciais sem pagamento. É uma queda em comparação com os US$ 2,20 de um ano atrás e a menor cobertura que os bancos já tiveram para absorver perdas em potencial com empréstimos imobiliários comerciais em mais de sete anos.
Bill Moreland, do BankRegData, que coleta e analisa dados de bancos, disse que em todo o setor existe uma certeza de que “as provisões para essas perdas com empréstimos precisam aumentar”.
“Há bancos que podiam parecer estar bem há seis meses, mas não parecerão tão bem no próximo trimestre”, afirmou Moreland.
No início deste mês, o New York Community Bank perdeu mais de 50% de seu valor de mercado depois de registrar centenas de milhões de dólares em possíveis perdas na sua carteira de empréstimos para imóveis comerciais que não tinham sido divulgadas antes.
O centro do problema são as provisões para perdas com empréstimos que são os montantes que os bancos separam para cobrir perdas futuras com inadimplência. As provisões são um golpe para os ganhos e por isso os bancos procuram limitar como e quando as constituem.
Fonte: Valor Econômico