Asahi Noguchi, membro do conselho diretivo do Banco do Japão (BoJ), vê a necessidade de o banco central manter uma postura de política monetária acomodatícia, dada a longa história de deflação do Japão. Seu discurso nesta quinta-feira (3) ecoa as observações “dovish” do novo primeiro-ministro do país, Shigeru Ishiba.
“Provavelmente levará um tempo considerável para que uma mentalidade consistente com a meta de estabilidade de preços de 2% seja estabelecida entre a sociedade”, disse Noguchi em um discurso para líderes empresariais na província de Nagasaki, no sul do Japão.
“Até lá, acredito que é mais importante continuar a manter pacientemente condições financeiras acomodatícias.”
Os consumidores japoneses provavelmente ainda não estão convencidos de que os preços continuarão subindo, disse ele, observando a lentidão contínua no consumo.
Com a recente aceleração da inflação no Japão, a demanda do consumidor continua fraca, sugerindo que as pessoas ainda esperam que os preços caiam.
Os comentários de Noguchi estavam alinhados com a visão expressa pelo premiê Ishiba, que foi escolhido na semana passada.
“Não acredito que estejamos em um ambiente que exija um aumento adicional nas taxas de juros”, disse Ishiba na quarta-feira após uma reunião com o presidente do BoJ, Kazuo Ueda, para discutir visões econômicas.
O iene enfraqueceu brevemente para cerca de 147,25 em relação ao dólar na quinta-feira de manhã – seu nível mais baixo em pelo menos um mês – refletindo as expectativas decrescentes de um aumento iminente nas taxas pelo BoJ.
Noguchi, conhecido como um membro “dovish” do conselho do BoJ, se opôs à mudança para aumentar as taxas de juros para 0,25% em julho. Na época, ele disse que o banco central precisava examinar as evidências de melhorias econômicas mais completamente.
Noguchi disse na quinta-feira que votou contra a decisão de apertar a política monetária porque a economia japonesa estava vulnerável a riscos de queda, com a inflação subjacente ainda abaixo da meta de 2% do banco central.
“No futuro, o Banco do Japão ajustará gradualmente sua atual flexibilização monetária, ao mesmo tempo em que avalia cuidadosamente se os preços ao consumidor estão subindo de forma estável em cerca de 2%, acompanhados pelo crescimento salarial”, disse ele.
03/10/2024 00:29:31
Fonte: Valor Econômico

