O Banco do Japão (BoJ, o banco central) tornou-se mais cauteloso em relação ao risco inflacionário representado pela fraqueza do iene, mostrou um resumo de opiniões divulgado nesta segunda-feira, após a recente volatilidade da moeda colocar os mercados em alerta para uma possível intervenção.
O resumo de opiniões da reunião de janeiro do banco central, que não identifica os palestrantes nominalmente, destacou as preocupações com o iene e o risco de o BoJ aumentar os juros muito lentamente.
“A depreciação do iene e a alta das taxas de juros de longo prazo refletem, em grande parte, fundamentos, como as expectativas de inflação”, disse um membro do conselho de política monetária. “Nessa situação, a única prescrição da política monetária é elevar a taxa básica de juros de forma oportuna e adequada.”
Um membro também alertou para o perigo de o BoJ ficar involuntariamente atrasado em relação à curva de inflação se os bancos centrais estrangeiros tomarem decisões de política monetária que alterem os diferenciais de taxas de forma desfavorável, mostrou o resumo.
A diferença entre as taxas de juros no Japão e em outras economias avançadas tem sido um dos principais fatores da depreciação do iene nos últimos anos. A fraqueza da moeda, por sua vez, alimentou uma inflação persistente, impulsionada pelas importações, já que o Japão compra itens essenciais, como energia e alimentos, do exterior.
“A taxa de juros real do Japão está no nível mais baixo do mundo e, como os participantes do mercado cambial prestam atenção aos diferenciais de taxas de juros reais, é necessário que o banco ajuste a taxa de juros real significativamente negativa”, disse o membro.
Embora a taxa básica de juros do Banco do Japão esteja em seu nível mais alto em 30 anos, o banco tem sido cauteloso com os aumentos, ao reduzir as expectativas de que a diferença entre as taxas de juros do Japão e dos Estados Unidos seja estreitada mais rapidamente.
Em sua reunião de 22 e 23 de janeiro, o BoJ manteve sua taxa básica de juros em 0,75%, mas enfatizou que deseja continuar apertando a política monetária, desde que as condições econômicas sejam favoráveis. Um dos membros do conselho disse na reunião que os riscos para os preços ao consumidor estão agora mais inclinados para cima, impulsionados pelo impacto da depreciação do iene, bem como por uma alta na demanda provocada pelas políticas fiscais.
A moeda japonesa se desvalorizou para quase 160 ienes em relação ao dólar em janeiro, um patamar que gerou especulações sobre intervenção governamental, pressionadas por preocupações com o crescimento dos gastos públicos.
Avisos verbais de autoridades japonesas e a possibilidade de ação coordenada com os Estados Unidos têm sustentado o iene, que está cotado a cerca de 154,90 por dólar. Mas analistas esperam que a moeda japonesa permaneça fraca devido a temores de que a primeira-ministra, Sanae Takaichi, possa implementar políticas fiscais mais expansionistas caso seu partido vença as próximas eleições.
“Tornou-se mais provável que fatores cambiais pressionem os preços para cima”, à medida que a dependência do país em relação às importações aumenta, disse um membro do conselho do BoJ.
Em uma publicação recente nas redes sociais, Takaichi enfatizou a necessidade de construir uma economia forte e resiliente às flutuações cambiais, impulsionando o investimento interno e fortalecendo a capacidade de oferta do Japão.
Fonte: Valor Econômico

