Companhia tem andamento mais de 100 estudos em parceria com a indústria farmacêutica
Por Beth Koike — De São Paulo
11/01/2023 05h00 Atualizado há 5 dias
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2023/a/L/sqoHKQSU6ZjkGk8vCelA/foto11emp-101-dasa-b1.jpg)
Andreza e Riedel, da Dasa: centros de pesquisa integrados aos hospitais e laboratórios de medicina diagnóstica do grupo — Foto: Silvia Zamboni/Valor
A Dasa intensificou os investimentos em pesquisa clínica após sua entrada no mercado hospitalar e diante da possibilidade desse tipo de estudo no país ser regulamentado em projeto de lei. Em dois anos, a companhia controlada pela família Bueno abriu oito centros de estudo e tem em andamento mais de 100 pesquisas clínicas em parceria com a indústria farmacêutica.
Essas unidades demandaram um investimento de R$ 10 milhões que já se pagou com a receita apurada. No acumulado dos dois últimos anos, o faturamento, proveniente dos repasses feitos pelas farmacêuticas à Dasa, está na casa dos R$ 50 milhões.
A indústria farmacêutica tem interesse em se juntar à Dasa devido a sua base de dados, formada por um público de várias regiões do país. A companhia tem 23 milhões de pacientes únicos atendidos em 15 hospitais e 1000 unidades de medicina diagnóstica. A Dasa é dona de hospitais como Nove de Julho, Santa Paula e São Domingos e laboratórios como Delboni, Sérgio Franco, entre outros.
Já para a Dasa, as pesquisas clínicas trazem uma chancela de credibilidade médica. Somente 2% de estudos globais patrocinados são realizados no Brasil. Um dos motivos desse baixo índice é a falta de uma legislação sobre o tema. Não há, por exemplo, uma regra determinando o tempo de fornecimento de uma droga aprovada para aqueles pacientes que participaram da fase de estudos. Há receio das farmacêuticas que esse fornecimento seja por um prazo indeterminado, tornando o medicamento inviável financeiramente.
“Muitos pacientes e familiares não têm acesso ou desconhecem as pesquisas clínicas. Ter um centro de estudo integrado aos nossos hospitais possibilita essa interação entre os médicos, pesquisas e pacientes”, disse Andreza Senerchia, responsável pela área de pesquisa clínica da Dasa. As especialidades médicas alvos de estudo clínicos são oncologia, hematologia, neurologia, doenças raras e metabólicas.
A Dasa já realiza estudos clínicos desde os anos 1990, mas esses projetos estavam concentrados em medicina diagnóstica que era a única área de atuação da companhia até o fim de 2019. Nessa data, a companhia fez uma fusão com a empresa de hospitais Ímpar – ambas controladas pela família Bueno – e ampliou o escopo das pesquisas. “Com a pandemia da covid, a importância da pesquisa ganhou maior relevância, o que nos motivou a apostar mais nessa área. Hoje, temos pesquisas acadêmica, que é um projeto do médico, de P&D e as patrocinadas pela indústria que vêm crescendo muito”, disse Gustavo Riedel, diretor das áreas de genômica e pesquisa clínica da Dasa.
A companhia tem várias frentes de estudos. Há desde pesquisas genéticas que detectam as novas variantes, como a subvariante da ômicron XBB.1,5 encontrada em dezembro em São Paulo, até uso de inteligência artificial. Os cientistas da Dasa e da Universidade de Stanford desenvolveram uma combinação de algoritmos que possibilita detectar os riscos de derrame de um paciente utilizando um exame de imagem antigo. Por exemplo, é possível reaproveitar a tomografia de tórax, realizada em grande escala para diagnóstico de covid, para analisar os riscos de outras doenças, o que evita o paciente ter que se submeter a outra bateria de exames.
Fonte: Valor Econômico