Levantamento utiliza 50 estudos com 10 milhões de pacientes em todo o mundo; no Brasil, longevidade média é de 72 anos
- O Estado de S. Paulo.
- 24 May 2024
- ISABELLA PUGLIESE VELLANI
Crianças com obesidade grave aos 4 anos e que não perdem peso ao longo do tempo podem ter uma expectativa de vida de apenas 39 anos. É o que mostra uma pesquisa apresentada no último Congresso Europeu de Obesidade, que aconteceu entre os dias 12 e 15. A idade sugerida é pouco mais do que a metade da longevidade média no Brasil, que é de 72 anos para os homens e de 79 anos para mulheres, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No País, a doença é considerada uma epidemia pelos especialistas.
O estudo, realizado pela consultoria alemã Stradoo GmbH, utilizou dados de 50 estudos clínicos existentes com cerca de 10 milhões de participantes do mundo inteiro para medir a obesidade grave com base no Escore-Z do Índice de Massa Corporal (IMC), que mostra os desvios-padrão para idade e sexo. Ainda foram levadas em consideração quatro variáveis: idade de início da obesidade, duração da doença, gravidade do caso e uma medida dos riscos irreversíveis.
A conclusão da análise indicou que a enfermidade no grau mais grave desde a infância pode aumentar a probabilidade do desenvolvimento das chamadas doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como diabete do tipo 2, doenças cardiovasculares ou respiratórias, câncer e até mesmo problemas psicoemocionais, como depressão e ansiedade.
Para Tulio Konstantyner, membro do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o resultado é justificável, considerando que a obesidade tem impactos no corpo todo.
“Quanto mais intensa é a doença, mais consequências vão acontecer em longo prazo. Hoje, no Brasil, as DCNTs representam cerca de 70% a 80% das causas de morte. Por conta da obesidade, essas doenças aparecem antes, assim como as complicações. Consequentemente, o risco de morrer mais cedo é maior”, explica.
MÉDIA NACIONAL. No Brasil, nas últimas décadas, a expectativa de vida melhorou. Em 2019, uma pessoa tinha a expectativa de viver até os 76,6 anos, em média (73,1 anos para homens e 80,1 anos para mulheres), de acordo com os dados do IBGE. Com a pandemia da covid-19, a expectativa de vida diminuiu, mas voltou a subir em 2022. Porém, Konstantyner alerta que a estatística pode cair novamente nos próximos anos, justamente por conta da obesidade. “Uma população mais doente tende a morrer mais. A obesidade está na contramão da saúde”, ressalta o especialista.
O estilo de vida de uma criança impacta diretamente a probabilidade de desenvolver a obesidade. Entre os fatores mais importantes, estão o consumo de alimentos de baixo valor nutricional e de alta densidade calórica, além da falta de uma prática regular de atividade física.
Nos casos mais severos da doença, o tratamento indicado é a cirurgia bariátrica. O procedimento é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas o jovem precisa ter, no mínimo, 16 anos e atender a determinados critérios.
Risco Crianças obesas podem ter diabete do tipo 2, doenças cardiovasculares ou respiratórias e câncer
Fonte: O Estado de S. Paulo