Por Valor Investe — São Paulo
15/05/2024 09h43 Atualizado há uma hora
O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos avançou 0,3% em abril já com ajustes sazonais, de acordo com o que divulgou nesta quarta-feira (15) o Escritório de Estatísticas Trabalhistas (BLS, na sigla em inglês).
O ritmo de alta do custo de vida, portanto, desacelerou em relação ao registrado em março (0,4%). O número está abaixo das apostas dos analistas de que o ritmo de alta observado em abril fosse igual ao registrado no mês anterior. Os dados de março e fevereiro haviam surpreendido para cima.
Em 12 meses terminados em março, o CPI acumulou alta de 3,4% antes dos ajustes sazonais, abaixo dos 3,5% de março e em linha com as expectativas de 3,4%.
O chamado “núcleo” de inflação medido pelo CPI, que exclui preços mais voláteis, aumentou 0,3%, abaixo do avanço de 0,4% em março e fevereiro e também do esperado por analistas. Em 12 meses, ficou em 3,6%, em linha com as apostas de 3,6%.
O mercado segue tentando acertar quando começam os cortes de juros já apontados como prováveis pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Mais ou menos inflação aproxima ou distancia a autoridade monetária de alcançar a meta de 2% ao ano. Portanto, em tese, adia ou antecipa o ciclo de quedas.
Quanto mais juros forem praticados ao longo do tempo nos Estados Unidos, mais atratividade tende a ganhar a renda fixa global. Do mesmo modo, melhor para investidores de bolsa quanto menor for o “preço do dinheiro” por lá. Importa, em especial, a mercados acionários ditos mais arriscados, caso do Brasil.
Como a inflação menor tende a aproximar um ciclo de corte dos juros, após a divulgação do dado os rendimentos dos títulos do Tesouro americano recuaram de forma expressiva. Os índices de ações americanos abrem estáveis e reagem positivamente ao anúncio. Por fim, o dólar contra o real tem leve valorização de 0,4%, operando próximo aos R$ 5,15.
O que dizem os analistas
Para William Castro Alves, estrategista-chefe da corretora Avenue, ainda é cedo para comemorar, mas a primeira reação, percepção e talvez até esperança do mercado é que talvez vejamos o retorno a uma trajetória benigna do índice de preços, em especial seu núcleo, que possibilite um ciclo de queda dos juros. Por outro lado, o especialista salienta que esse é o trigésimo sétimo mês consecutivo de inflação acima dos 3%, valor esse que ainda se encontra bem acima da meta de 2% do Fed.
Entendemos que o dado mostrou uma evolução favorável, mas que o Fed vai querer ver a continuidade disso nos próximos dados para chancelar a possibilidade de cortes de juros. Ainda assim, no curto prazo o mercado reagiu elevando as probabilidades de cortes de juros em 2024. De acordo com a ferramenta do CME que monitora os juros, a chance de Fed cortar juros em 50 pontos porcentuais em 2024 sobe de 37,3% a 38,7% e a probabilidade de o Fed cortar juros até setembro sobe de 69% a 74%.
Na visão de Rodrigo Cohen, analista de investimentos e co-fundador da Escola de Investimentos, o dado mostra que a inflação, mesmo estando longe da meta, está conseguindo ser controlada, e pode ser que nas próximas decisões isso seja levado em consideração pelo Fed. “Dá para começar a pensar em pelo menos uma queda até o final do ano”.
Fonte: Valor Investe

