Emma G. Fitzsimmons
A prefeitura de Nova York está criando as primeiras unidades de testes móveis nos Estados Unidos, que permitirão que pessoas com resultado positivo no teste de coronavírus recebam na hora e de graça o tratamento antiviral Paxlovid.
O prefeito Eric Adams anunciou o novo programa na quinta-feira (30) em Manhattan com o doutor Ashish Jha, coordenador de resposta à Covid-19 na Casa Branca.

O novo programa de unidades móveis, “Teste para tratar”, faz parte dos esforços federais e municipais para reduzir o efeito do vírus e preparar-se para futuras ondas da doença. As autoridades de saúde querem melhorar o acesso a medicamentos antivirais para os nova-iorquinos vulneráveis que podem não saber sobre o tratamento ou não ter um médico de atenção primária ou seguro de saúde.
Adams, um democrata que assumiu o cargo em janeiro, testou positivo para o vírus em abril e disse que sua infecção foi leve em parte porque ele tomou Paxlovid, fabricado pela Pfizer. Verificou-se que o tratamento reduz substancialmente as chances de doença grave em pessoas de alto risco se elas começarem a tomá-lo logo no início da infecção.
Órgãos reguladores federais autorizaram o medicamento para uso emergencial no final do ano passado e, na quinta-feira, a Pfizer disse que solicitou a aprovação do tratamento à Agência de Alimentos e Drogas (FDA).
PUBLICIDADE
“Ao colocar medicamentos que salvam vidas nas mãos dos nova-iorquinos minutos depois de testarem positivo, estamos mais uma vez liderando o país ao oferecer rapidamente cuidados acessíveis àqueles que precisam”, disse Adams em comunicado.
O presidente Joe Biden anunciou um esforço nacional de “Teste para tratar” em seu discurso sobre o Estado da União em março. O programa federal conta com centenas de clínicas em farmácias e centros de saúde comunitários para prescrever tratamentos antivirais de imediato. Nenhuma outra cidade além de Nova York usou unidades de teste móveis nesse programa.
A partir de quinta, três das unidades móveis de teste da cidade incluirão um médico que poderá prescrever medicamentos antivirais para os pacientes. As unidades serão instaladas fora das farmácias, que poderão fornecer imediatamente as prescrições. Os locais estarão nos bairros de Inwood em Manhattan, South Ozone Park em Queens e East Bronx –áreas distantes do centro ou sul de Manhattan e que têm muitos moradores da classe trabalhadora.
O número de locais móveis que podem oferecer a receita aumentará para mais de 30 até o final de julho, disseram autoridades municipais, acrescentando que, ainda neste verão, Nova York começará a oferecer medicamentos antivirais diretamente nas unidades móveis, não mais em uma farmácia próxima. A cidade já oferece entrega gratuita em domicílio de tratamentos antivirais.
Ted Long, diretor executivo da Test & Trace Corps, disse que o primeiro paciente no novo local de testes móveis diante da farmácia de Inwood nesta semana foi uma mulher que não tinha celular e tinha sido exposta ao vírus recentemente. Ela testou positivo e saiu da farmácia com o Paxlovid. “Essa iniciativa está focada na equidade”, disse ele.
Jha disse em entrevista que houve um grande aumento no uso de Paxlovid em todo o país nos últimos três meses e que 240 mil novas prescrições para o tratamento foram registradas na semana passada, o maior total semanal até agora. Mas ele disse que as pessoas que testaram positivo em comunidades mais pobres não tiveram acesso a tratamentos antivirais com a mesma frequência que as pessoas em comunidades mais ricas.
“Adoro essa ideia”, disse ele sobre o programa móvel de Nova York. “Você pode ir até as pessoas onde elas estão. Espero que isso corra muito bem e seja um grande modelo para o resto do país seguir.”
Um estudo recente divulgado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças descobriu que os residentes nas áreas menos favorecidas social e economicamente dos Estados Unidos tinham a metade da probabilidade de receber prescrição para os novos tratamentos antivirais do que os moradores de comunidades mais ricas, embora muitos dos locais de distribuição estejam nessas áreas.
Jha e Ashwin Vasan, comissário de saúde da cidade de Nova York, disseram que há muito Paxlovid disponível para os nova-iorquinos que precisarem.
“Agora estamos meio inundados de Paxlovid”, disse Vasan.
Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves
Fonte: Folha de São Paulo
