A farmacêutica japonesa Chugai Pharmaceutical, controlada pela suíça Roche, espera solicitar aprovação já em 2028 para um novo medicamento contra a obesidade projetado para evitar que o excesso de peso retorne após o fim do tratamento, apurou o “Nikkei Asia”.
O candidato a fármaco, chamado GYM329, está atualmente em testes clínicos patrocinados pela Chugai e por sua controladora Roche.
O medicamento deve se tornar uma das mais recentes apostas no mercado global de remédios contra a obesidade, que, segundo projeção do Goldman Sachs Research, pode atingir US$ 95 bilhões até 2030.
O GYM329 é um biofármaco que atua preservando a massa muscular ao suprimir a atividade de proteínas responsáveis pela atrofia muscular.
Ao evitar a perda de músculos, o medicamento ajuda a manter o gasto energético do corpo, o que pode impedir que os pacientes voltem a ganhar peso após o término do tratamento e a interrupção da medicação.
A expectativa é que o novo fármaco seja usado em conjunto com os atuais medicamentos para obesidade da classe GLP-1, que imitam hormônios para promover a perda de peso. Nos testes clínicos, as variações de peso e de massa muscular estão sendo monitoradas e comparadas com as de pacientes que utilizam apenas os medicamentos já existentes.
Produtos como Wegovy, da Novo Nordisk, e Zepbound, da Eli Lilly, lideraram o rápido crescimento do mercado de remédios contra a obesidade nos últimos anos. Os medicamentos à base de GLP-1 ajudam a controlar os níveis de açúcar no sangue e a suprimir o apetite, resultando em perda de peso.
No entanto, os GLP-1 apresentam efeitos colaterais, entre eles a perda de massa muscular, além de, em muitos casos, exigirem aplicação por injeção.
Em dezembro, a Novo Nordisk obteve aprovação da agência reguladora dos Estados Unidos (FDA) para uma versão em comprimido do Wegovy. A empresa também avança no desenvolvimento de um medicamento experimental que imita hormônios responsáveis pela supressão da fome.
Já a Eli Lilly planeja solicitar aprovação para um novo fármaco que imita a ação de três hormônios, com o objetivo de alcançar uma perda de peso significativa.
A farmacêutica americana também desenvolve um tratamento oral contra a obesidade chamado orforglipron, que, segundo o CEO David Ricks, a empresa espera que seja aprovado no segundo trimestre de 2026. A Chugai participou das pesquisas de desenvolvimento desse medicamento.
Fonte: Valor Econômico