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A intensificação dos conflitos entre Estados Unidos, Israel e Irã ampliou as diferenças entre os preços de combustíveis praticados no Brasil e no mercado internacional. Cálculos de analistas ouvidos pelo Valor apontam para diferenças de mais de 20% no diesel nesta terça-feira (3). Desde os primeiros ataques, no sábado (28), a defasagem da gasolina também se aproxima da casa de 20%.
Especialistas afirmam que a guerra está apenas no estágio inicial e, por isso, não é possível afirmar se as cotações devem se firmar em patamares mais altos. Há dúvidas, porém, se os aumentos serão repassados pela PetrobrasCotação de Petrobras no curto prazo.
Antes dos ataques, na sexta-feira (27), o diesel da PetrobrasCotação de Petrobras estava R$ 0,12 abaixo do produto importado, segundo a StoneX. Já no fechamento de ontem (3), a StoneX calcula que a defasagem do produto da PetrobrasCotação de Petrobras subiu para R$ 0,94 abaixo da média do PPI mínimo, ou 29,2%, e R$ 1,1 abaixo da média do Golfo do México, ou 35,9%. No caso da gasolina, a defasagem foi de R$ 0,5, ou 19,5%.
Os produtos estão sendo reprecificados com base nas novas cotações, segundo Thiago Vetter, analista da StoneX. “As transportadoras apontam na terça-feira um aumento de R$ 0,20 no preço do diesel B, já pronto para consumo, em relação a segunda-feira”, diz.
Para o analista, ainda não é esperado que a PetrobrasCotação de Petrobras aumente o preço do diesel para acompanhar a cotação internacional. A companhia costuma esperar as cotações se estabilizarem antes de realizar alguma mudança, evitando repassar a volatilidade internacional ao mercado doméstico. Procurada, a PetrobrasCotação de Petrobras não respondeu.
Vetter, da StoneX, acredita que a petroleira possa esperar até abril para mudar o preço do diesel. “A PetrobrasCotação de Petrobras não deve fazer movimentação em momento de volatilidade”, diz. “Pode ser que a empresa enfrente alguma pressão por parte dos acionistas para se aproximar do preço importado. Mas, em se tratando de ano de eleição, a companhia deve esperar mais para aumentar o preço.”
Para a Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), o diesel da PetrobrasCotação de Petrobras saiu de um patamar de 12% abaixo do importado na sexta, ou R$ 0,39, para uma defasagem de R$ 1,31 na terça-feira, ou 40%.
Ontem, o petróleo tipo Brent fechou a US$ 81,40 barril, alta de 4,7%. Desde sexta-feira (27), a commodity acumula avanço de 12,31%. No ano, o aumento chega 33,77%. As cotações aceleraram depois que o Irã ameaçou a passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, por onde circula 20% do petróleo transacionado no mundo.
Relatório de ontem do Itaú BBA aponta que o conflito no Oriente Médio ampliou o abismo entre preços praticados no Brasil e no exterior. “Em comparação com a terça-feira passada (24), os preços de paridade de importação e exportação da gasolina e do diesel aumentaram acentuadamente, deixando o PPI [Preço de Paridade de Importação] 18% acima dos preços domésticos da gasolina e 23% acima dos preços domésticos do diesel.”
Segundo o presidente da Abicom, Sergio Araujo, o consumidor ainda deve sofrer por um tempo com preços dos combustíveis mais altos: “O preço do petróleo deve ficar flutuando acima dos US$ 80 por barril. Com isso, a pressão de preço dos derivados aqui no Brasil deve acompanhar.”
A Abicom acredita que as refinarias privadas vão repassar os aumentos dos preços aos clientes, em cerca de 30% no caso do diesel e de 10% na gasolina, com variações a depender da região. “Nas regiões que são supridas majoritariamente por refinarias da PetrobrasCotação de Petrobras, esse aumento de preço ainda não vai ser sentido. Mas naquelas onde o consumidor depende de derivados de refinarias privadas ou importados, vai haver impacto do aumento do preço”, disse Araujo.
Marcus D’Elia, sócio da Leggio, ressalta que, nas contas da consultoria, a gasolina não era vendida com defasagem antes da eclosão da guerra. O diesel, por outro lado, tinha defasagem de cerca de R$ 0,30 por litro. Agora, ambos estão defasados, principalmente o diesel, vendido R$ 0,80 por litro mais barato no Brasil.
A expectativa do especialista é que o preço do barril de petróleo se estabilize ao redor de US$ 80 se a guerra levar a uma interrupção de apenas dez dias no Estreito de Ormuz. “Se a crise se prolongar, o barril vai a US$ 100. A PetrobrasCotação de Petrobras vai ser forçada a reajustar os preços.”
Amance Boutin, gerente de desenvolvimento de negócios da Argus, destaca que, no mercado internacional, um navio carregado com diesel russo e com previsão de entrega nos próximos 30 dias, tem a carga avaliada em R$ 4,23 por litro no porto de Itaqui, no Maranhão. “Isso se comparara com um valor cobrado pela PetrobrasCotação de Petrobras de R$ 3,17 por litro”, afirma Boutin.
No caso da gasolina importada, o preço está em R$ 2,89 por litro, comparado aos R$ 2,75 por litro cobrados pela PetrobrasCotação de Petrobras. “Olhando para o padrão dos últimos anos, é provável que ela [PetrobrasCotação de Petrobras] espere a tensão geopolítica cair ou se concretizar como uma nova realidade de mercado antes de tomar uma decisão de reajuste.”
Para Pedro Rodrigues, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), é difícil prever os próximos capítulos em um cenário de alta volatilidade. “Como a PetrobrasCotação de Petrobras não segue mais o PPI, é impossível a gente dizer se ela vai reajustar o preço daqui a uma semana ou dez dias. Sempre que o preço tem que ser reajustado para baixo, a velocidade do reajuste é alta. Quando tem que reajustar para cima, a velocidade é baixa”, critica.
Antes do ataque, na sexta-feira (27), a defasagem do diesel e da gasolina estava em 12,08% e 4,96%, respectivamente, segundo o CBIE. Agora, a gasolina vendida pela PetrobrasCotação de Petrobras tem defasagem de 22,94%, ou R$ 0,7761 por litro, segundo o CBIE. O diesel tem defasagem de 27,08%, ou R$ 1,2240 por litro.
Fonte: Valor Econômico
