Por Sérgio Tauhata, Valor — São Paulo
29/03/2023 13h54 Atualizado há 56 minutos
O crescimento real anual do crédito no Brasil diminuiu ainda mais em fevereiro, afirma o Goldman Sachs, em relatório assinado por Alberto Ramos e Renan Murta. Segundo os analistas, a desaceleração foi impulsionada pela menor demanda no segmento de crédito livre, em particular para pessoas jurídicas, mas também pelo lado da oferta, com a retração dos bancos privados.
Já os NPLs [empréstimos não performados] aumentaram na margem, impulsionados pelos NPLs corporativos, disseram Ramos e Murta. Para a casa de análise, “a qualidade do crédito continua se deteriorando”.
Conforme o banco americano, as operações em atraso há 90 ou mais dias nas linhas de crédito livre aumentaram em 5 pontos-base, para 4,5%, frente a 3,1% em dezembro de 2021. A inadimplência do crédito pessoal manteve-se estável em 6,1%, mas acima dos 4,4% vistos no final de 2021. A inadimplência corporativa, por outro lado, aumentou 10 pontos, para 2,4%, frente a 1,5% no final de 2021.
“Esperamos que as condições de crédito se tornem mais difíceis nos próximos meses devido ao alto nível de endividamento do consumidor, taxas elevadas, perspectiva de abrandamento da atividade real e o surgimento recente de várias situações de dificuldade de crédito corporativo, parcialmente mitigadas pelas generosas transferências fiscais no segundo semestre de 2022 e em 2023.”
Conforme o relatório, o crescimento do crédito bancário caiu mais 0,90 ponto percentual em fevereiro, para 6,7% no comparativo anual. Em termos nominais, o crescimento do crédito moderou para 12,6% ano contra ano, vindo de 13,8% na mesma base em janeiro.
De acordo com o Goldman, o crescimento anual real do crédito para pessoas jurídicas caiu significativamente, para 0,3% em base anual, contra 2,1% em janeiro. O crescimento real do crédito para pessoas físicas caiu 20 pontos-base, para 11,2% em fevereiro, em relação ao mesmo período do ano anterior, com a queda puxada pelo segmento de recursos livres.
O crédito direcionado, por sua vez, cresceu 8,2% na comparação ano contra ano em termos reais em fevereiro, com um ritmo próximo dos 8% em janeiro. Na visão dos analistas, o segmento continua em tendência de recuperação.
Já o crescimento do crédito livre desacelerou ainda mais: para 5,6% frente a fevereiro do ano passado, em termos reais, vindo de uma expansão de 7,1% na mesma base em janeiro.
“Em termos reais, o crédito dos bancos privados (nacionais e estrangeiros) diminuiu significativamente para 5,8% em fevereiro, contra 7,3% em janeiro), enquanto o crédito dos bancos públicos se firmou em patamar de 7,8%, de 7,7% em janeiro.”
O crédito bancário como parcela do PIB caiu 0,5 ponto percentual, para 52,8% em fevereiro. O patamar ainda permaneceu acima do visto no mesmo mês do ano passado, aos 52,5%.
A participação do crédito direcionado no crédito total na economia, por outro lado, aumentou 20 pontos-base, para 40,9% em fevereiro, ante 40,3% há um ano, e significativamente abaixo da alta cíclica de 50,4% em maio de 2017.
A participação dos bancos públicos no crédito total aumentou 30 pontos, para 43,0%. O percentual, no entanto, ainda está abaixo da alta cíclica de 56,8% alcançada em julho de 2016.
De acordo com o Goldman, as taxas de empréstimos para pessoas físicas subiram 170 pontos em fevereiro, para 58,3%, enquanto as cobradas sobre empréstimos corporativos caíram 110 pontos, para 24,2%.
As taxas de empréstimos subiram em fevereiro impulsionadas pelas taxas de crédito para pessoas físicas, avaliou a casa de análise.
Fonte: Valor Econômico
