Nasdaq sofre pressão por operar pregão 24 horas por sete dias, tema que será definido pela SEC esta semana — Foto: Michael Nagle/Bloomberg
O grande peso das ações conhecidas como “Sete Magníficas” – Apple, Microsoft, Amazon, Nvidia, Alphabet (dona do Google), Meta e Tesla – nos índices dos Estados Unidos é uma preocupação não só para a Nasdaq, mas para economia e mercados como um todo, disse Andrew Oppenheimer, vice-presidente e diretor de negócios e desenvolvimento e estratégia da bolsa de tecnologia. Segundo o executivo, a bolsa está focada em dar mais visibilidade para outras empresas do segmento, mas é um desafio, já que os desejos dos investidores mudam conforme o momento, e o atual vem colocando a tecnologia em evidência.
“As pessoas olham para o S&P e dizem, ‘oh, o S&P subiu X%’, mas são realmente quatro ou cinco empresas que impulsionaram isso. Porque isso significa menos comércio para as outras empresas, certo? Menos negócios ou menos interesse. E, sim, o crescimento da economia dos EUA está focado e concentrado em um punhado de empresas, em vez de mais amplamente”, afirma Oppenheimer. O executivo, no entanto, afirma que a bolsa é agnóstica em relação a isso. “Não dizemos, ei, você deveria começar a olhar para… A visibilidade é para todos.”
Oppenheimer lembra que o Nasdaq 100 mudou sua composição em julho do ano passado, quando o peso das Sete Magníficas havia chegado a 51%. Então, caiu a cerca de 40%. “Criamos uma metodologia para ir contra o sobrepeso. Sim, foi longe demais e começou a afetar o índice. Temos esse rebalanceamento todo ano.”
Oppenheimer vê tendência ascendente de ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) na Nasdaq para 2025. Em 2024, o executivo admite que houve redução no tamanho das empresas que passaram a ser listadas na bolsa. Ele explica que o índice que acompanha os IPOs não considera o volume da operação para que uma grande emissão em um determinado ano não distorça o cenário. “Se você é uma empresa de US$ 200 bilhões ou uma de US$ 10 bilhões, conta como uma. Então não há sinal de que teremos muitos IPOs enormes ou menores.” Neste ano, aponta ele, foram 199 nos Estados Unidos, num total de US$ 36 bilhões.
O vice-presidente da Nasdaq diz que a tendência é manter esse quadro em 2025, já que percebe procura do investidor por empresas com produtos escaláveis, com visibilidade clara para serem lucrativos e duráveis. “Se o serviço que você está criando realmente está resolvendo problemas que vão ficar aqui por 10, 15 anos, o investidor está confortável”, avalia.
Oppenheimer cita que em 2021 foram mais de mil IPOs, com US$ 100 bilhões em volume. “Se você olhar para 2022, 2023, quando tivemos US$ 9 bilhões, e agora US$ 15 bilhões, vemos uma tendência melhor.” De acordo com Oppenheimer a lista de empresas prontas para abrir capital na Nasdaq é “muito boa e robusta”, entre 70 e 80. Atualmente a bolsa tem listadas cerca de 4 mil empresas de 50 países, a maioria dos Estados Unidos, seguida pelas chinesas. “Israel também terá um grande número de empresas aqui.”
O executivo conta que a discussão sobre horas estendidas de negociação vem dominando sua atenção no momento. A SEC (comissão de valores mobiliários americana), que fiscaliza e regulamenta o mercado de capitais nos Estados Unidos, tem até a próxima sexta-feira, dia 29, para decidir se aceita o pedido da 24 Exchange, uma startup, para operar 24 horas por dia, sete dias por semana.
Ele explica que há um “ímpeto” nesse sentido puxado pelos mercados de criptomoedas, que negociam as 24 horas por dia. “Estamos perdendo muitos clientes para esses mercados.” No entanto, Oppenheimer frisa que há questões a resolver para isso acontecer. Entre elas, as câmaras de liquidação (as “clearings”), que registram as negociações, também precisarão ficar abertas 24 horas por dia, assim como as chamadas Fees for Securities Information Providers (SIPs), processadores de informações de títulos, que funcionam das 4h às 20h.
“A fonte dominante do desejo de negociação 24 horas vem de investidores de varejo estrangeiros, principalmente da Ásia, que estão acordados enquanto as bolsas dos Estados Unidos não, e dos investidores de varejo. Mas, no momento, os investidores institucionais não estão animados para ver isso”, destaca. Ele afirma que o volume registrado fora do horário atual – atualmente a Nasdaq funciona das 4h às 20h no horário estendido e o regular, das 9h30 às 16h – é limitado e corresponde a “apenas cerca de dez milhões de ações, não muito substancial”. “A oportunidade não é robusta.”
“A Nasdaq ou qualquer bolsa não precisa abrir 24 horas por dia. Então será uma decisão comercial se escolhermos estender nosso horário.” Se a SEC aceitar o pedido da 24 Exchange, porém, Oppenheimer vê alguma pressão para as outras bolsas seguirem. A bolsa de Nova York (Nyse), por exemplo, tem cinco bolsas. Uma delas, a Arca, pediu há duas semanas um pedido para operar 22 horas por dia. “No dia 29 todos nós vamos ficar atualizando o site da SEC durante o dia”, brinca ele.
A repórter viajou a convite da XP
Fonte: Valor Econômico
