Por Adriana Cotias, Valor — São Paulo
06/01/2023 19h00 Atualizado há 2 dias
Na sua carta aos investidores que fecha 2022, a Verde Asset aproveitou para fazer críticas às ações que ecoam do Planalto, algo que já se tornou recorrente para colocar quais são os pontos de atenção da gestão. A avaliação é que o cenário internacional é bastante benigno aos emergentes, com a reabertura da China e sinais de melhora nos dados de inflação nos Estados Unidos, e que o Brasil pode perder essa oportunidade.
A Verde aponta que o cenário no Brasil segue volátil, tônica que se observa desde a semana subsequente ao fim da eleição, e que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva parece adotar um modus operandi que lembra frase de Azeredo Silveira, citada por Elio Gaspari: “Tem gente que atravessa a rua para escorregar na casca de banana que está na outra calçada, com declarações absolutamente estapafúrdias sobre os mais variados temas, mas especialmente aqueles que dizem respeito à economia”.
Para o time de gestão dos multimercados da Verde, liderados por Luis Stuhlberger e Luiz Parreiras, o país tem uma situação fiscal e de endividamento que inspira cuidados, “mas os arroubos de vários ministros solapam diariamente a confiança que o setor privado necessita para investir e ajudar o país a crescer. Tal fórmula já foi testada nos governos Dilma e sabidamente levou a um desastre”.
A equipe da Verde lembra que o ponto de partida hoje é substancialmente pior do que em 2010, mas parece não haver reconhecimento disso. Entende que todo novo governo passa por uma fase de transição porque o mercado não tem histórico suficiente para distinguir ruído de sinal, e trata toda informação nova como relevante. “Com mais alguns meses, ficará claro quem são os interlocutores que de fato sinalizam quais políticas públicas serão adotadas, e quem são apenas irrelevantes.”
Nesse meio tempo, a gestão diz tentar operar contra os exageros, aumentando risco em bolsa e real nos momentos de estresse, como nas últimas semanas, e “reduzindo risco quando o silêncio impera e o cenário global se sobrepõe”.
Para a Verde, o contexto global continua bastante favorável ao Brasil, especialmente pela “surpreendente velocidade de reabertura da economia chinesa, com consequente melhora de preços para várias commodities, com exceção, que esperamos temporária, do petróleo”. Além disso, a gestora destaca que a economia americana dá sinais de arrefecimento da inflação, tirando pressão incremental das taxas de juros globais. “Esse pano de fundo tende a ser favorável para mercados emergentes, o que só reforça a visão da enorme oportunidade que está sendo desperdiçada por todo ruído e prêmio de risco adicional gerados pelo novo governo.”
O fundo manteve exposição na bolsa brasileira, assim como a parcela vendida (apostando na queda) na bolsa americana via opções. Segura ainda posição comprada em inflação implícita no Brasil, e pequena posição aplicada em juro real. Tem exposição tomada (apostando na alta) em juros na Europa. Segue comprado em ouro e petróleo, e vendido no euro contra compra de real. As posições em crédito tanto no mercado local quanto em high yield americano foram mantidas.
O multimercado Verde, de Stuhlberger, teve valorização de 0,93% em dezembro e acumulou em 2022 ganhos de 15,93%, ante 12,4% do CDI.
O grande destaque do fundo foi o portfólio de renda fixa, especialmente as posições tomadas em juro nos EUA e Europa, além da compra de inflação implícita no Brasil e os livros de crédito local e offshore. Também trouxeram frutos a posição comprada em petróleo, as proteções de bolsa global, e os livros de trading.
Do lado negativo, a carteira de ações no Brasil foi o detrator relevante do fundo no ano. “Conforme 2023 começa, temos um time de gestão forte e motivado para entregar excelentes retornos ajustados ao risco.”
Fonte: Valor Econômico
