Por Victor Rezende, Valor — São Paulo
30/09/2023 16h10 Atualizado há um dia
Ao se ter em vista que o câmbio é o principal canal sobre o qual a pressão exercida pelo diferencial de juros se manifesta, a sensibilidade da taxa de câmbio doméstica ao “risco Brasil” deve se elevar à frente, destacam os profissionais da Bradesco Asset Management (Bram) em revisão de cenário. “Nos próximos trimestres, o comportamento da política fiscal passa a ser ainda mais relevante para que a taxa de câmbio suporte a queda do diferencial de taxa de juros”, afirmam os economistas da gestora.
A Bram, no momento, mantém a expectativa de que o dólar encerre este ano cotado a R$ 4,85 e que chegue ao fim de 2024 negociado a R$ 5,00. Na avaliação da equipe comandada pelo economista Marcelo Toledo, apesar da redução do diferencial de juros, alguns amortecedores ajudam a conter os efeitos sobre o câmbio. Ele cita o nível real do câmbio, que permanece depreciado historicamente (15% acima do nível pré-pandemia, em termos reais) e as contas externas em nível sustentável.
“Analisando diferentes episódios de fechamento do diferencial de juros local e externo desde 2004, um resultado presente é que o comportamento da taxa de câmbio passa a depender mais de medidas de risco país, como o CDS (prêmio de juros dos títulos públicos emitidos em dólar no mercado externo)”, aponta a Bram ao ressaltar que este cenário reforça a relevância da política fiscal brasileira à frente.
Para os economistas da Bram, o foco da política fiscal continua a ser o desfecho em relação às medidas de elevação da arrecadação. “Nosso cenário segue contemplando aprovação parcial das medidas, abaixo do projetado pelo projeto de lei orçamentária. De outro lado, vale notar que a elevação dos preços do petróleo poderá representar aumento significativo das receitas para o governo federal ao longo de 2024 (o Orçamento teve como hipótese preços do petróleo ao redor de US$ 75/barril)”, afirmam os profissionais da gestora de fundos do Bradesco.
Eles, contudo, ressaltam que há movimentos relevantes em relação às despesas, como uma aceleração significativa da quantidade de benefícios da Previdência nos últimos meses, “que sugere que será necessário elevar a projeção para essas despesas em relação ao projeto do Orçamento de 2024”. Assim, na visão da Bram, além da incerteza em torno da meta de resultado primário para 2024, o gerenciamento das despesas também poderá exigir mais esforço por parte da política fiscal.
No momento, a gestora projeta déficit primário de 1% do PIB neste ano e de 0,6% em 2024.
Fonte: Valor Econômico
