As farmacêuticas multinacionais reportaram forte crescimento de receita no quarto trimestre e no acumulado do ano passado, de acordo com os relatórios de resultados. Os números foram impulsionados por portfólio de medicamentos inovadores, que inclui injetáveis para diabetes e perda de peso — a “família Ozempic”—, para doenças raras e especialidades como oncologia e neurologia. A forte base de comparação, porém, deve resultar em desaceleração do crescimento em 2025.
A Eli Lilly mais que dobrou o lucro trimestral, somando US$ 4,4 bilhões, enquanto a receita avançou 45% no quarto trimestre do ano passado, para US$ 13,5 bilhões. De acordo com a companhia, o resultado foi impulsionado por uma alta de 48% nos volumes de Mounjaro e Zepbound, medicamentos injetáveis a base de tirzepatida, um agonista do receptor de GLP-1.
Já a Novo Nordisk, líder na categoria com as marcas Ozempic e Wegovy, lucrou 28,2 bilhões de coroas norueuguesas no quarto trimestre, alta de 24%, enquanto a receita foi de 85,6 bilhões coroas norueguesas, alta de 30%. De acordo com a companhia, a base de comparação forte deve levar a uma desaceleração do crescimento em 2025, entre 16% e 24%.
Embora as ações da Novo Nordisk tenham subido 3,66% na bolsa de Copenhagen após a divulgação dos resultados, os papéis acumulam queda de 26,33% nos últimos 12 meses. Uma das razões foi o resultado preliminar abaixo das expectativas de uma nova injeção para perda de peso. As ações começaram a se recuperar há cerca de um mês, com novos estudos positivos sobre a amicretina, e os papéis acumulam alta de cerca de 3,4% desde então.
A consultoria PwC aponta que o mercado de análogos do GLP-1 deve alcançar US$ 150 bilhões até 2030. De acordo com um levantamento da consultoria, entre 8% e 10% da população dos Estados Unidos utilizam a categoria, enquanto entre 30% e 35% têm interesse de iniciar o uso dos medicamentos.
Outras farmacêuticas também reportaram crescimento de receita no quarto trimestre do ano passado, graças a medicamentos para doenças raras e de maior complexidade. Essas categorias, junto aos análogos de GLP-1, compõem o que as farmacêuticas estão chamando de “portfólio de inovação”.
A Pfizer reverteu prejuízo e teve lucro de US$ 410 milhões, superando as estimativas do mercado, enquanto a receita cresceu 22%, para US$ 17,7 bilhões. Em todo o ano passado, a alta foi de 7%. O destaque do portfólio, de acordo com a companhia, foram os produtos oncológicos.
A Sanofi registrou alta de receitas de 9,1% no quarto trimestre, para 10,5 bilhões de euros. Os lançamentos no segmento farmacêutico cresceram 56,8%, somando 800 milhões de euros em faturamento. O segmento de vacinas cresceu 10,8%, somando 2,2 bilhões de euros, com a alta de vendas do imunizante contra o vírus sincicial respiratório (VSR) Beyfortus na Europa. O lucro líquido foi de 9,1 bilhões de euros, revertendo prejuízo de 555 milhões de euros.
A companhia espera que o ritmo de crescimento fique em “um dígito alto”, próximo dos 10%. A Sanofi afirma ainda que o lucro por ação deve crescer em duplo dígito.
Uma das exceções do setor foi a Moderna, voltada ao desenvolvimento de vacinas, que reverteu lucro e teve prejuízo de US$ 3,6 bilhões no quarto trimestre. A receita da companhia caiu 53%, somando pouco mais de US$ 1 bilhão.
No terceiro trimestre, a companhia já havia reportado prejuízo relacionado ao excesso de doses da vacina contra covid-19 e encerramento de linhas de produção. A aposta da Moderna para recuperar o crescimento neste ano é a aprovação de imunizantes contra novas doenças, como uma vacina de RNA mensageiro que combata as células do câncer de pele. A companhia também espera uma maior receita de vacinas contra a gripe, cujo mercado é três vezes maior que o de covid-19.
Fonte: Valor Econômico