9 Feb 2024 DANIELA AMORIM MARIANNA GUALTER
O aumento nos preços dos alimentos pressionou a inflação oficial no País em janeiro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,42%. O resultado, porém, foi o mais brando para o mês desde 2021, além de ter representado uma desaceleração ante o avanço de 0,56% verificado em dezembro, graças à queda nas tarifas aéreas, divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com o resultado, a taxa de inflação acumulada em 12 meses arrefeceu pelo quarto mês consecutivo, passando de 4,62% em dezembro de 2023 para 4,51% em janeiro de 2024. A meta de inflação perseguida pelo Banco Central em 2024 é de 3%, com teto de tolerância de 4,5%.
O IPCA teria sido de 0,57% em janeiro, não fosse a queda nas passagens aéreas, disse André Almeida, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE. As tarifas diminuíram 15,22%, detendo em -0,15 ponto porcentual a inflação do mês.
No entanto, o recuo sucede a uma alta acumulada de 82,03% nas passagens aéreas nos quatro meses anteriores, de setembro a dezembro de 2023. A base de comparação elevada explica a redução nas tarifas em janeiro, argumentou Almeida, acrescentando ainda que houve diminuição no custo do querosene de aviação (QAV, combustível de aviões). “Pode ter influenciado, uma vez que o combustível é um componente importante no preço das passagens aéreas”, disse Almeida.
Foram os itens alimentícios que turbinaram o IPCA em janeiro, embora o encarecimento dos serviços bancários e dos planos de saúde também tenha pressionado a inflação do mês, disse o gerente do IBGE. Diante das condições climáticas desfavoráveis, os alimentos mais caros foram responsáveis por dois terços da inflação neste início de 2024.
“Historicamente, a gente observa alta nos preços dos alimentos nos meses de verão, por conta das temperaturas mais altas e maior incidência de chuvas no País”, disse Almeida.
Apesar de ser considerado um movimento sazonal, a elevação de 1,38% no custo do grupo Alimentação e bebidas em janeiro foi a maior desde abril de 2022. Considerando apenas meses de janeiro, o aumento no grupo foi o mais acentuado desde 2016.
A alimentação no domicílio subiu 1,81% em janeiro. As famílias pagaram mais pela cenoura (43,85%), batata-inglesa (29,45%), feijão-carioca (9,70%), arroz (6,39%) e frutas (5,07%). Já a alimentação fora do domicílio aumentou 0,25% em janeiro: a refeição fora de casa subiu 0,17%, e o lanche teve elevação de 0,32%.
AVALIAÇÕES. “Nossa previsão é que a inflação continue acima do centro da meta em 2024, principalmente pela desaceleração lenta dos preços dos serviços”, disse Claudia Moreno, economista do C6 Bank, em comentário.
A LCA Consultores espera uma alta mais branda no custo da alimentação em fevereiro. “Projetamos que o IPCA registrará +0,76% em fevereiro, na esteira da alta sazonal de Educação, bem como pelos efeitos diretos e indiretos da mudança na cobrança de ICMS em gasolina, diesel e etanol”, escreveu o economista Fábio Romão, da LCA Consultores, em relatório. •
Fonte: O Estado de S. Paulo
