Por Rita Azevedo, Valor — São Paulo
20/03/2023 19h13 Atualizado há 11 horas
O colapso dos títulos de dívida de maior risco do Credit Suisse começou a afetar a negociação de bônus subordinados emitidos por bancos brasileiros. Papéis do Banco do Brasil (BB), por exemplo, registraram desvalorização de 3,2% nesta segunda-feira. Os do Itaú Unibanco, que tiveram um volume de transações menor, caíram 0,5%. A expectativa é que o impacto seja maior nos próximos dias.
O UBS comprou o Credit Suisse por US$ 3,25 bilhões, mas o acordo — desenhado por autoridades da Suíça — desconsiderou totalmente qualquer pagamento aos detentores US$ 17 bilhões em títulos do banco suíço conhecidos como AT1 (do inglês “Additional Tier 1”, elegíveis a compor o capital de nível 1 da instituição) ou “CoCos” (“contingent convertibles”). Esse tipo de dívida foi criado após a crise global de 2008 e está no topo lista de títulos bancários de maior risco.
Com o acordo, credores do Credit que tinham os papéis viram o valor de seus investimentos ser reduzido a zero. “Pela primeira vez na história, os detentores de bonds perderam mais que os donos de ações”, diz Marcelo Cabral, sócio da gestora Stratton Capital, com sede nos Estados Unidos. “O caso inverteu o racional do investimento em bonds com essas características.”
Três bancos brasileiros possuem títulos que podem ser comparados aos do Credit Suisse, segundo o gestor. São eles o Banco do Brasil, o Itaú e o BTG Pactual. As emissões desses bônus por instituições financeiras brasileiras somam US$ 8,68 bilhões. O BB Brasil é o que possui o maior volume, de cerca de US$ 5,38 bilhões, com três títulos. O Itaú também fez três emissões, enquanto o BTG fez uma operação.
Cabral considera que o caso teve um efeito “moderado” na negociação dos bônus brasileiros nesta segunda-feira, mas a situação deve piorar ao longo da semana. “Os investidores provavelmente vão reavaliar todo o racional por trás do investimento em um subordinado desse tipo”, diz. Alguns títulos de bancos europeus, como os do Deutsche Bank, chegaram a cair quase 16% nesta segunda.
Há uma clara preocupação de que o caso Credit Suisse contamine o mercado dos títulos AT1, que somam cerca de US$ 275 bilhões. Na Europa, credores do banco suíço tentarão reverter a decisão dos reguladores.
Fonte: Valor Econômico
