O cobre deve se tornar o centro das atenções na mineração. A consultoria S&P Global aponta o produto como essencial para uma série de processos: a acelerada busca por eletrificar meios de transporte e indústrias, aumento da geração de energia renovável e a construção de “data centers”.
Na visão de Daniel Yergin, vice-presidente da S&P Global, e Carlos Pascual, vice-presidente sênior da consultoria, esse novo mundo vai precisar de mais cobre para atender a todas essas demandas. O problema é que a oferta não deve ser suficiente, segundo estudo liderado pelos dois especialistas.
“O cobre é essencial para a geração, transmissão e uso de eletricidade, mas a demanda ultrapassará a oferta, a menos que haja um grande ajuste em todo o sistema de fornecimento de cobre”, diz o documento da consultoria global com o título “Cobre nos tempos de inteligência artificial: desafios da eletrificação”.
O estudo identifica uma mudança na trajetória da demanda por cobre, saindo do uso em fios condutores de eletricidade e se tornando o principal metal da eletrificação. A S&P projeta que a demanda pelo mineral sairá de 28 milhões de toneladas em 2025 para 42 milhões de toneladas em 2040. “O aumento de 50% ressalta o papel fundamental do metal em vários domínios tecnológicos e econômicos. No entanto, atender à demanda por cobre enfrenta obstáculos significativos de abastecimento, tanto acima quanto abaixo do solo”, dizem os autores.
O estudo projeta um déficit potencial de 10 milhões de toneladas de cobre até 2040, sem uma expansão significativa da oferta. Sem o desenvolvimento de novas minas ou a expansão dos ativos existentes, a oferta pode sair dos 23 milhões de toneladas registrados em 2025 para um pico de 27 milhões de toneladas em 2030, caindo então para 22 milhões em 2040, conforme estima a S&P. “Os teores médios do minério de cobre estão caindo, tornando a extração mais complexa e cara, especialmente em grandes regiões produtoras como a América do Sul”, diz o documento.
Segundo o estudo da S&P, a demanda proveniente de atividades econômicas básicas e da transição energética será de mais 7 milhões de toneladas de cobre além da oferta em 2040. “A diferença aumenta ainda mais quando se consideram áreas adicionais que surgiram apenas nos últimos anos, como o rápido crescimento da inteligência artificial, com a consequente construção de mais ‘data centers’, e o aumento das despesas com defesa.”
A S&P Global projeta que a capacidade instalada total de todos os data centers seja de aproximadamente 550 gigawatts até 2040, mais de cinco vezes o que era em 2022. Enquanto isso, os gastos globais com defesa podem dobrar para US$ 6 trilhões até 2040, em meio ao aumento das tensões internacionais e ao surgimento de novas ameaças, diz o estudo. “A demanda por inteligência artificial e ‘data centers’, somada à demanda por defesa, deve triplicar até 2040, representando uma demanda adicional combinada de 4 milhões de toneladas de cobre.”
Nesses “data centers”, o cobre é utilizado para a distribuição de energia nas instalações. “Como esses locais normalmente têm espaço limitado, há um risco elevado de incêndio por conta do calor gerado pelos servidores. O cobre é preferível ao alumínio para a distribuição de energia dentro das instalações devido à maior densidade e melhores propriedades de segurança contra incêndios.”
Em base anual, a S&P Global prevê que até 30 gigawatts de nova capacidade de “data centers” serão instalados em todo o mundo até 2030. “Isso significa que 15 novos ‘data centers’, cada um com tamanho médio de 2 gigawatts e valor de US$ 10 bilhões em despesas de capital, serão instalados anualmente.”
Fonte: Valor Econômico
