Por Larissa Garcia — De Brasília
07/12/2022 05h00 Atualizado há 5 horas
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro vai crescer 3,1% neste ano e 1,6% no ano que vem, segundo projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para os principais indicadores da economia.
Para a CNI, o a alta em 2023 será puxada pelo crescimento do setor de serviços de 2022, que ainda influenciará o ano seguinte, além da “continuidade da expansão do número de pessoas com trabalho e da massa salarial real” e do aumento das despesas do setor público.
A entidade estima que as despesas primárias do governo federal tenham crescimento real de 10% em 2023.
Na indústria, a previsão da CNI é de alta de 0,8% do PIB em 2023, com desaceleração em relação a 2022, que tem projeção de crescimento de 1,8%.
“A indústria de transformação vai crescer 0,3%, com expectativa de desempenhos setoriais diferentes: os produtores de bens mais sensíveis à renda com desempenho mais favorável do que as indústrias com produtos mais sensíveis ao crédito, que terão mais dificuldades devido aos juros elevados”, disse a confederação.
A entidade projeta inflação de 5,7% para 2022 e de 5,4% para 2023. Além disso, ela prevê que a taxa básica de juros (Selic) seja mantida a 13,75% ao ano em 2022 e que encerre 2023 a 11,75%.
“Na projeção da CNI, dado o quadro fiscal de 2023, a expectativa é que o Banco Central do Brasil manterá a Selic em 13,75% ao ano até meados de setembro de 2023, quando deve iniciar o ciclo de cortes da Selic – tendo em vista a provável convergência das expectativas de inflação em 2024 e 2025 para suas respectivas metas -, de modo que a Selic encerre 2023 em 11,75% ao ano.”
A CNI espera que as concessões de crédito às empresas apresentem crescimento menor em razão, principalmente, da taxa de juros em patamar elevado, “que encarece o crédito, e da desaceleração da atividade econômica, que tende a reduzir a demanda pelo crédito”.
O texto diz também que, “para os consumidores, três fatores devem contribuir para uma desaceleração ainda mais forte no crédito: a taxa de inadimplência, alto nível de comprometimento de renda e endividamento e o menor ritmo de crescimento da massa de rendimento real”.
A entidade projeta, ainda, taxa de desemprego de 9,3% em 2022 e de 8,9% em 2023. O mercado de trabalho deverá apresentar resultados menos positivos em 2023 quando comparado à sua trajetória em 2022, defende.
A expectativa da CNI é que o número de pessoas ocupadas tenha crescimento de 3,1% ao fim de 2023, em relação a este ano. Esse será a principal razão para o crescimento esperado de 3,7% para a massa de rendimento real em 2023, destaca a entidade.
A CNI prevê para o setor público consolidado superávit primário de 1,6% do PIB para 2022 e déficit de 2% para 2023.
Além disso, a entidade prevê que a dívida bruta encerre o ano em 76,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022 e de 78,8% em 2023. “Aumento da arrecadação em 2022, influenciado pelo crescimento da atividade econômica, pela recuperação do mercado de trabalho e pelas arrecadações atípicas relacionadas à exploração de recursos naturais e privatizações favoreceram o quadro fiscal da economia brasileira”, ressalta o relatório.
Para o governo federal, a entidade estima superávit primário de R$ 75,1 bilhões neste ano, o equivalente a 0,9% do PIB, o primeiro resultado positivo desde 2013.
A CNI projeta, ainda, saldo em conta corrente negativo em US$ 43,2 bilhões em 2022 e negativo em US$ 40,8 bilhões no ano que vem.
Para a balança comercial, a estimativa é de superávit de US$ 55,9 bilhões em 2022, fruto de exportação de US$ 334,3 bilhões e importação de US$ 278,4 bilhões neste ano. Em 2023, a projeção também é de saldo comercial positivo em US$ 55,9 bilhões, com US$ 328,3 bilhões em exportações e US$ 272,4 bilhões em importações.
Dessa forma, o saldo em conta corrente deve ser negativo em US$ 43,2 bilhões em 2022 e negativo em US$ 40,8 bilhões no próximo ano.
Fonte: Valor Econômico
