Pelas projeções da organização, a economia do país asiático terá expansão de 3,2% neste ano e de 4,7% em 2023
Por Assis Moreira, Valor — Genebra
26/09/2022 09h48 Atualizado há 6 horas
A China, maior parceiro comercial do Brasil, é a única grande economia do mundo que terá crescimento maior em 2023 do que em 2022, segundo novas projeções da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Num quadro comparando as expectativas de expansão econômica, a entidade aponta desaceleração em todas as outras grandes economias.
Pelas projeções da OCDE, a China terá um crescimento excepcionalmente fraco de 3,2% neste ano. Mas medidas tomadas pelo governo em Pequim, que podem pesar até 2% do PIB para fortalecer o investimento em infraestrutura e um efeito de recuperação das restrições relacionadas a covid-19 este ano, devem ajudar a recuperar o crescimento para 4,7% em 2023.
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Persistem alguns riscos importantes, como a evolução incerta dos preços dos alimentos e aqueles associados à alta dívida e ao fraco setor imobiliário na China.
Para a OCDE, com os eventos climáticos extremos se tornando cada vez mais frequentes e severos devido às mudanças climáticas e às secas na Europa e na China, há um risco claro de novos picos nos preços dos alimentos que colocariam uma pressão crescente sobre a inflação e aumentaria a pobreza e a fome.
“A China enfrenta desafios significativos para lidar com sua contínua retração imobiliária em meio a níveis elevados de dívida corporativa”, diz a OCDE. “Se bem-sucedido, um sólido crescimento econômico pode ser retomado, como projetado na parte final de 2022 e em 2023. No entanto, os riscos permanecem de uma retração sustentada impulsionada por uma demanda doméstica privada significativamente mais fraca. Isto estaria associado a um crescimento global muito mais lento, mas também empurraria os preços da energia e de outras commodities para baixo”.
Por sua vez, a demanda externa mais branda é um fator de desaceleração projetado na Índia de 6,9% de crescimento anual em 2022 para 5,7% no ano que vem, mas isso ainda representa um crescimento rápido no contexto de uma economia global fraca.
A Indonésia experimentará uma desaceleração na segunda parte do ano, já que uma inflação mais alta corrói o crescimento do consumo privado, mas projeta-se que o PIB se expandirá em torno de 5% em 2022 e 4% em 2023.
O crescimento da produção na Arábia Saudita tem sido impulsionado pelos altos preços da energia, e enquanto as taxas de crescimento são projetadas para moderar ao longo do horizonte da previsão, o crescimento anual poderá estar próximo de 10% em 2022 e 6% em 2023.
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— Foto: Pixabay
Fonte: Valor Econômico