Por Nikkei Asia — Hong Kong
02/08/2022 09h37 Atualizado há 58 minutos
A China proibiu a importação de pelo menos 50 tipos de produtos de Taiwan, novo movimento de Pequim em retaliação à possível visita a Taipei da presidente da Câmara dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, nesta terça-feira.
Apesar da viagem não ter sido confirmada oficialmente, a China vem dando declarações contra a visita há semanas, escalando as tensões nos últimos dias. Nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse que políticos americanos que “brincarem com o fogo” não terão um “final feliz”, reverberando fala similar do presidente Xi Jinping, ao seu equivalente dos EUA, Joe Biden, em conversa por telefone na última sexta-feira.
A China reivindica Taiwan como parte de seu território e alertou contra a viagem de Pelosi, enquanto Washington disse na segunda-feira que não se deixaria intimidar pelos “blefes” de Pequim.
A proibição de importação de alimentos chega no dia em que é esperada a chegada de Pelosi na ilha independente
“A proibição é claramente uma tentativa dissimulada de punir Taiwan pelas ações dos EUA”, disse Chen Kuan-ting, CEO do centro de estudo Taiwan NextGen Foundation. “A China continua a usar a manipulação econômica para tentar coagir as relações políticas e o comportamento de Taiwan. Isso é mais uma prova da abordagem pesada da China para tentar ditar o relacionamento China-Taiwan.”
O site da agência alfandegária chinesa mostrou que produtos de pelo menos 50 categorias de importação – incluindo vegetais, biscoitos, bolos, bebidas e frutos do mar frescos – foram listados como “suspensos” na terça-feira, embora seus registros pareçam permanecer válidos, com alguns programados expirar apenas em 2027.
Atualmente, mais de 2 mil itens individuais de Taiwan estão suspensos para importação para a China. Isso representa cerca de dois terços dos aproximados 3,2 mil itens registrados para importação de Taiwan, de acordo com uma análise da Nikkei Asia. Não ficou claro se todas as suspensões foram feitas ao mesmo tempo.
A lista inclui itens das principais marcas de Taiwan, como Taisun, A.G.V. Produtos, Wei Chuan Foods, Wei Lih Food e I-Mei Foods. A agência alfandegária chinesa não deu uma razão para as suspensões em seu site.
Um funcionário do Ministério de Assuntos Econômicos de Taiwan disse ao Nikkei que o ministério, o Conselho de Agricultura e outros departamentos relevantes estão cientes da proibição e estão ajudando os membros do setor a “responder adequadamente”.
O legislador Wang Ting-yu, do Partido Democrático Progressista, atacou a proibição nas mídias sociais, dizendo: “Não seremos intimidados pelo armamento [da China] do comércio”.
O Conselho de Agricultura disse que está monitorando a situação e “aconselhando as empresas taiwanesas envolvidas a preparar todos os documentos necessários”, acrescentando em comunicado, “também ajudaremos e estudaremos se precisaremos lançar programas de apoio relacionados para indústrias que serão impactadas.”
Taiwan exportou cerca de US$ 683 milhões em alimentos, bebidas e álcool para a China em 2021, segundo dados do Ministério das Finanças. No primeiro semestre deste ano, as remessas de alimentos e bebidas de Taiwan foram avaliadas em US$ 183 milhões, uma vez que os lockdowns em Xangai e outras grandes cidades minaram a demanda.
A China suspendeu as importações de produtos alimentícios de Taiwan no passado, incluindo uma proibição em junho de garoupa, depois que o verde malaquita, um produto químico proibido usado na aquicultura, foi detectado em amostras.
Em 2021, a China suspendeu as importações de abacaxis e maçãs de Taiwan.
Fonte: Valor Econômico
