Por Theo Francis, Dow Jones — Nova York
12/01/2023 15h59 Atualizado há 17 horas
Executivos em grande parte do mundo estão se preparando para uma recessão econômica mais curta e branda do que o normal nos Estados Unidos e estão focados em enfrentar a desaceleração sem cortes generalizados de empregos, segundo pesquisa feita pela Conference Board, uma organização sem fins lucrativos de pesquisa de negócios.
A maioria significativa dos líderes corporativos fora da China e do Japão esperam que o crescimento retorne no final de 2023 ou no primeiro semestre de 2024.
“Quase todas as regiões, com exceção da China, acreditam que haverá algum tipo de recessão econômica”, disse Dana Peterson, economista-chefe do Conference Board. “Cerca de 98% dos CEOs nos EUA acham que haverá uma recessão – mas que ela será curta e superficial”.
Como resultado, os executivos disseram que sua resposta a uma crise provavelmente será diferente daquelas adotadas em outras oportunidades, quando o congelamento de contratações e demissões tendiam a estar entre as primeiras respostas das empresas, de acordo com a pesquisa, que entrevistou 670 CEOs.
Os CEOs dos EUA disseram que estão mais propensos a se concentrar na inovação, enfatizar as linhas de negócios de maior crescimento, proteger as margens de lucro com estratégias de preços, investir em marketing e cortar gastos administrativos e discricionários. CEOs europeus disseram ser a favor de adiar novos investimentos em vez de cortar empregos.
O mercado de trabalho permanece em alta histórica, apesar do arrefecimento no ritmo de crescimento da economia. A taxa de desemprego nos EUA ficou em 3,5% em dezembro, e muitos empregadores dizem que continuam enfrentando desafios para preencher algumas vagas. Os cortes de empregos até agora se concentraram principalmente em funcionários de colarinho branco, principalmente no setor de tecnologia, já que a demanda por bens e serviços continua forte demais para que muitas empresas considerem demitir trabalhadores da linha de frente.
As principais preocupações externas para os entrevistados da pesquisa nos EUA foram recessão, inflação e escassez de mão de obra. Um ano atrás, os três problemas mais citados eram escassez de mão de obra, inflação e interrupções na cadeia de suprimentos, com a recessão ocupando o sexto lugar, segundo a Conference Board.
Uma pesquisa trimestral da empresa de recrutamento Russell Reynolds Associates, com mais de 1,3 mil executivos, também descobriu que a preocupação com o crescimento econômico aumentou acentuadamente no final do ano passado, com dois terços dos entrevistados classificando-o entre suas cinco maiores preocupações externas, quase se igualando com a preocupação sobre a disponibilidade de talentos no mercado.
As preocupações com os custos dos empréstimos aumentaram no ano passado nos EUA, já que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) implementou uma série de aumentos acentuados nas taxas de juros para conter a inflação. Os custos de empréstimos são listados como a quarta maior preocupação entre os CEOs americanos e a décima maior preocupação globalmente, segundo a Conference Board. Há um ano, os custos de empréstimos ocupavam o 25º lugar nos EUA e o 22º globalmente.
Por outro lado, as preocupações com a cadeia de suprimentos diminuíram, com um terço dos CEOs globalmente e 44% nos EUA dizendo que não planejam alterar as cadeias de suprimentos nos próximos três a cinco anos. As preocupações com a covid-19 também estão diminuindo fora da China e do Japão.
A invasão da Ucrânia pela Rússia foi classificada como uma das principais preocupações, especialmente para os CEOs europeus, que colocaram a guerra entre suas cinco principais preocupações.
Executivos fora dos EUA e da Europa estão mais cautelosos com o ritmo da recuperação econômica. Cerca de um terço dos CEOs de empresas chinesas e japonesas e 29% na América Latina disseram esperar que o crescimento seja retomado após meados de 2024, de acordo com a pesquisa.
Fonte: Valor Ecocômico

