Envolver equipe de comunicação nas postagens em temas sensíveis pode minimizar possíveis impactos negativos
Por Fernanda Gonçalves — De São Paulo
27/06/2022 05h02 Atualizado há um dia
Ao abrir um perfil em uma rede social, o CEO deve estar ciente de que a exposição vem acompanhada de riscos, já que influenciar pessoas é uma grande responsabilidade, destaca João Adibe Marques, da Cimed. Ele explica como lida com as críticas: “Aquilo que é construtivo, eu utilizo a meu favor, e o que não vem para somar, apenas ignoro”.
Jerome Cadier, da Latam, assume que existe o risco de ser mal interpretado ou de não dar conta de atender todas as demandas criadas com sua presença digital. “Porém, tendo um trabalho planejado e organizado, avalio que esses riscos são administráveis, como outros que vivo em minha carreira”.
“Uma dica importante para os CEOs é envolver sua equipe de comunicação ou agência para ajudar no processo. Mesmo que o executivo produza 100% do conteúdo, é prudente ouvir especialistas nas plataformas e, eventualmente, passar pelo time o conteúdo, principalmente ao tocar em temas sensíveis. Isso pode evitar que uma frase fora de lugar gere problemas”, aconselha Felipe Bogéa, professor da FGV e sócio da agência F2F.
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Envolver equipe de comunicação nas postagens em temas sensíveis pode minimizar possíveis impactos negativos — Foto: Pexels
João Paulo Pacífico, CEO do grupo Gaia, ganhou seguidores a partir de 2015, ao publicar artigos no LinkedIn, e hoje tem uma audiência de 458 mil pessoas. Ele afirma que suas posições políticas e sociais são mais importantes do que ganhos financeiros e, por isso, está disposto a correr o risco. “Infelizmente, nas redes sociais, não há muito diálogo. Mas eu não vou deixar de expor as minhas ideias, mesmo que elas venham a prejudicar os negócios, porque se não, eu estaria me corrompendo”.
Com 277 mil seguidores no Instagram, Fritz Paixão, CEO da Cleannew, diz que a imagem do executivo nas mídias sociais passa a ser totalmente vinculada à empresa quando ele assume o papel de influenciador. “A responsabilidade é multiplicada por dez”, alerta o empresário, que também investe em conteúdos para o TikTok, plataforma ainda pouco explorada para falar de trabalho.
“Quanto mais exposição, mais riscos, mas tento não deixar esse medo me travar, para não perder a minha autenticidade”, diz Raphael Mattos, CEO da PremiaPão, que conta com uma equipe de sete pessoas para criar conteúdo para os 280 mil inscritos em seu canal no YouTube. Ele acredita que a visibilidade compensa o risco. “Se eu fosse pagar mídia para ter o mesmo alcance, custaria uma fortuna, então acaba sendo vantajoso até do ponto de vista econômico”.
Fonte: Valor Econômico