O CEO do Wells Fargo & Co., Charlie Scharf, afirmou que os riscos em torno do rápido crescimento do crédito privado não devem ser tratados com leviandade e não estão causando grandes problemas sistêmicos entre os bancos.
Os investidores ficaram assustados na semana passada com o terceiro caso de suposta fraude em empréstimos desde o início de setembro, levando bancos regionais a relatar baixas contábeis. Isso também gerou debate em Wall Street sobre se há rachaduras no que tem sido um mercado de crédito forte.
No Wells Fargo, a qualidade do crédito tem sido “excepcionalmente boa”, disse Scharf em entrevista concedida pelo Clube Econômico de Nova York nesta terça-feira (21). Embora uma retração no ciclo de crédito deva ocorrer em algum momento após um longo período de bom desempenho de crédito, disse ele, não há motivos significativos para preocupação até o momento e as recentes alegações de fraude não indicam problemas mais amplos.
“Há uma diferença muito, muito grande entre o que pode ser uma fraude e o que é um problema de crédito causado pelo fraco desempenho da base de clientes subjacente dessas empresas”, disse Scharf.
Parte do debate atual é se o colapso de credores não bancários, como a recente falência da financiadora de veículos subprime Tricolor Holdings, prejudicaria a qualidade dos empréstimos bancários. As empresas de crédito privado tornaram-se mais interligadas aos bancos, que cada vez mais emprestam para elas.
Scharf disse que o Wells Fargo empresta apenas para instituições não bancárias que acredita que “realmente sabem o que estão fazendo”. A empresa sediada em São Francisco é uma das maiores financiadoras das chamadas instituições depositárias não bancárias.
“Acho que ‘preocupação’ é uma palavra forte”, disse Scharf. “Acho que é algo que as pessoas deveriam ter em mente. Detesto generalizar sobre crédito privado.”
Fonte: Valor Econômico

