Por Joshua Jamerson — Dow Jones Newswires
29/08/2022 05h02 Atualizado há 5 horas
Os republicanos continuam sendo os favoritos para conquistar a maioria na Câmara dos Deputados, nas eleições de novembro que renovação o Congresso dos EUA, mas os democratas, que há mais de um ano se preparam para enfrentar grandes perdas, iniciam a campanha eleitoral numa situação melhor do que no início do ano.
Pesquisas e resultados de votações recentes fizeram com que democratas, analistas eleitorais apartidários e alguns republicanos prevejam uma batalha mais competitiva. Os republicanos precisam ganhar só algumas cadeiras para obter a maioria na Câmara. Hoje os democratas têm 220 cadeiras a 211, com quatro cadeiras vagas.
“O partido no poder não costuma melhorar suas perspectivas eleitorais nos últimos meses de um ciclo eleitoral, mas é isso o que aparentemente está acontecendo”, escreveram em relatório Nathan Gonzales e Jacob Rubashkin, da Inside Elections, um boletim de observação eleitoral apartidário.
Analistas citam vários fatores que estariam ajudando os democratas a reduzir a diferença. Entre eles estão a questão do aborto, a fragilidade de candidatos republicanos em disputas fundamentais, as investigações contra o ex-presidente Donald Trump e a recente queda do preço da gasolina.
O relatório do boletim informativo apartidário Cook reduziu sua projeção de possíveis conquistas do Partido Republicano para a faixa de 10 a 20 cadeiras, ainda suficientes para assegurar o controle da Câmara, mas abaixo da faixa de 15 a 30 cadeiras estimada anteriormente. O Cook disse ainda que não descarta a possibilidade de que os democratas conservem sua maioria, se houver um elevado comparecimento democrata às urnas.
Jaime Harrison, presidente da Comissão Nacional Democrata, previu ontem que os democratas ganharão cadeiras no Senado, conquistarão alguns governos estaduais e manterão a maioria na Câmara nas eleições de novembro.
O governador Larry Hogan, de Maryland, um republicano moderado, disse temer que seu partido não terá a maioria no Senado nem conquistará novos governos estaduais, embora ainda ache que obterá maioria na Câmara.
“Este deveria ser um ano realmente grande para os republicanos devido aos erros dos democratas, que estão no controle de tudo, e aos baixos níveis de aprovação de Biden”, disse Hogan à TV CBS. “Mas poderemos desperdiçar isso indicando candidatos sem viabilidade eleitoral, e é isso o que está acontecendo em todo o país e é por isso que a onda vai ser mais uma marola do que um maremoto.”
Membros da Comissão Nacional Republicana, o braço de campanha do partido, disseram que a gestão de Biden da economia, que encolheu pelo segundo trimestre seguido em meio a uma inflação que chegou ao maior nível dos últimos 40 anos, vai catapultar o partido à vitória. Além disso, o partido do presidente normalmente perde cadeias nas eleições legislativas de meio de mandato presidencial.
Um fato novo recente capaz de complicar o panorama da eleição é o plano aprovado pelo presidente Biden de cancelar a dívida estudantil. A conclusão das investigações sobre Trump também poderá afetar o resultado das eleições.
Um estrategista republicano focado em disputas por assentos na Câmara disse que o entusiasmo dos democratas em comparecer às urnas aumentou depois da derrubada da garantia ao aborto nos EUA pela Suprema Corte, mas que os problemas da economia ainda devem dar vantagem ao partido.
“Vimos que os eleitores estão ainda mais preocupados com a inflação e com o crescente custo de vida. Isso não quer dizer que os eleitores não estejam preocupados com o aborto, porque isso certamente conta”, disse essa fonte. Acrescentou que os candidatos republicanos terão de calibrar sua posição sobre o aborto
As pesquisas de intenção de voto mostram que a vantagem dos republicanos está diminuindo. Por boa parte deste ano os republicanos mantiveram ligeira vantagem sobre os democratas toda vez que os pesquisadores perguntavam que partido os eleitores prefeririam ver no controle do Congresso, segundo a FiveThirtyEight, que agrega as principais pesquisas. Os democratas reconquistaram uma pequena vantagem de 0,5 ponto neste mês, o que sugere que a preferência está emparelhada.
A taxa de aprovação de Biden aumentou ligeiramente em algumas pesquisas recentes, após pairar em torno dos 40%. Recente pesquisa Gallup situa a aprovação de Biden em 44%, seu melhor percentual nessa pesquisa em um ano.
A vitória do democrata Pat Ryan para preencher uma cadeira vaga na Câmara dos Deputados americana em Hudson Valley, Nova York, infundiu um impulso de boas notícias a seu partido na semana passada, apontando para a importância potencial do aborto neste outono. Ryan centrou sua candidatura na luta pelo acesso ao aborto em todo o país.
O resultado no distrito eleitoral de Hudson Valley ocorreu após ambos os partidos terem sido surpreendidos, anteriormente neste mês, quando 60% dos eleitores do Kansas rejeitaram um plebiscito que teria declarado explicitamente que não haveria qualquer direito ao aborto previsto na Constituição do Estado. Os democratas observaram que, desde a decisão da Suprema Corte, vários Estados computaram mais mulheres se registrando para votar do que homens.
Os democratas dizem também que vão ingressar no outono com nova projetos que os candidatos poderão propagandear para os eleitores. Biden sancionou recentemente uma lei de US$ 280 bilhões, que contou com algum apoio dos republicanos, destinada a impulsionar a produção americana de semicondutores e a competitividade do país com a China. Ele também assinou um pacote apoiado pelo Partido Democrata de saúde, clima e impostos chamado de Lei Federal de Redução da Inflação, a que os republicanos se opuseram, dizendo que ela poderia desestabilizar a economia.
Fonte: Valor Econômico
