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O câmbio no fim do ano ajudou, mas foi insuficiente para o Brasil não cair no ranking dos maiores PIBs do mundo em dólar, após registrar no ano passado o menor crescimento desde 2020, na pandemia.
A economia brasileira foi ultrapassada pela russa e deixou a lista de dez maiores do mundo, o que não acontecia desde 2022.
A queda do Brasil para o 11º já era aguardada desde outubro do ano passado, quando o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou suas projeções para a economia global e apontou o avanço russo. Mas o cenário desde então trouxe algumas surpresas.
O positivo para o Brasil é que o real ganhou mais força em relação ao dólar do que se esperava em outubro, o que ajudou o PIB do país a ganhar espaço no ranking, ainda que o crescimento apontado nesta terça-feira (3) pelo IBGE tenha sido menor que o projetado pelo FMI: 2,3%, e não 2,4%.
Isso acontece porque a comparação mundial é feita pelo valor corrente do PIB na moeda do país em relação à cotação média da moeda local em dólar. Ou seja, uma moeda mais valorizada consegue “comprar” mais dólares, o que impulsiona o resultado do PIB na comparação global.
Em outubro, o FMI projetava uma cotação do dólar de R$ 5,614, e o resultado final foi de R$ 5,584. A diferença parece pequena, mas, mesmo com o crescimento do PIB menor que o estimado pelo Fundo em outubro, a economia brasileira foi US$ 24 bilhões maior do que se previa.
Outra “surpresa” nas projeções do organismo internacional, porém, derrubou o Brasil no ranking: o Canadá cresceu mais que o estimado pelo Fundo. Os vizinhos dos Estados Unidos tiveram alta de 1,7%, 0,5 ponto percentual mais do que a projeção.
Ainda assim, os canadenses também foram ultrapassados pelos russos, caindo do nono maior PIB global em 2024 para o décimo lugar no ano passado.
A grande dúvida é qual será a nova posição da economia russa, já que ela pode ter também ultrapassado a italiana, indo para o oitavo. lugar. Não é possível apontar isso agora, porque o FMI deixou de divulgar a cotação diária do rublo. Pelos valores publicados pelo banco central russo, o país vai ganhar a posição dos italianos, algo que o FMI não apontava em outubro.
A Rússia, ainda mais que o Brasil, foi beneficiada pela alta do rublo em relação ao dólar, já que a economia local cresceu apenas 1% no ano passado. A sua moeda, porém, foi uma das que mais se valorizaram no ano passado, apesar das sanções internacionais devido à invasão da Ucrânia.
No topo do ranking, não houve nenhuma mudança de posição. Os Estados Unidos estão em primeiro lugar (US$ 30,797 trilhões), seguido pela China, com US$ 19,505 trilhões. A Alemanha é a maior economia europeia: US$ 5,052 trilhões. Na sequência, aparecem duas economias asiáticas (Japão e Índia).
O Brasil também perdeu espaço na economia global porque cresceu menos que boa parte dos seus pares. O enfraquecimento da economia brasileira a partir do segundo trimestre do ano passado derrubou o país no ranking dos melhores desempenhos do PIB global no ano passado.
O avanço de 2,3% foi o 30º melhor resultado entre 55 economias que já divulgaram seus desempenhos do ano passado.
Em 2024, o Brasil havia ficado no top 20 entre esse mesmo grupo de países.
O resultado de 2025 também ficou abaixo da média global desse grupo de 55 países: 2,9%.
Na comparação com os países da região, a economia brasileira teve crescimento inferior ao da costa-riquenha (4,6%), ao da peruana (3,4%) e ao da colombiana (2,6%). O México, outro país latino-americano que já divulgou seu resultado de 2025, teve expansão de 0,8%.
O avanço brasileiro também ficou distante do registrado pelas economias que mais cresceram no passado, quase todas concentradas na Ásia. Taiwan liderou o avanço global, com alta de 8,7%, seguida por Vietnã (8%) e Geórgia (7,5%).
A China, segunda maior economia global, teve expansão de 5%, e os EUA, o maior PIB do planeta, teve crescimento pouco abaixo do brasileiro: 2,2%.
Os piores desempenhos globais ficaram, em sua maioria na Europa: Hungria e Alemanha cresceram 0,3%, Itália, 0,5%, e Estônia e Romênia, 0,6%.
O resultado do quarto trimestre mostrou um desempenho ainda mais fraco do Brasil – teve apenas o 40º maior crescimento entre 51 países que já divulgaram o PIB do período.
Com o avanço de 0,1% na comparação com o terceiro trimestre de 2025, o resultado brasileiro ficou abaixo até mesmo do de economias desenvolvidas, que costumam ter crescimento mais modesto que o de países emergentes – caso do Brasil.
O desempenho da economia brasileira no quarto trimestre de 2025 foi idêntico ao de Japão e Reino Unido e inferior ao de Estados Unidos, por exemplo.
Também ficou abaixo de países latino-americanos como México (alta de 0,9%), e (avanço de 0,6%), além de desempenho idêntico ao da Colômbia.
Fonte: Valor Econômico
