Por Dow Jones Newswires
05/01/2023 05h00 Atualizado há 5 horas
Uma onda de calor fora de época quebrou recordes de temperatura para janeiro em vários países da Europa e “derreteu” as atividades nas estações de esqui, mas provavelmente evitou a crise de energia com a redução da demanda por gás, o que derrubou os preços.
Após um fim de 2022 de temperaturas baixas e disparada dos preços do gás, a Europa começou 2023 com um calor sem precedentes, segundo meteorologistas. Partes da Dinamarca, França, Alemanha, Polônia, Espanha, Suíça e outros países registraram os dias mais quentes de janeiro de suas histórias. No dia do Ano Novo, as temperaturas chegaram a quase 21º Celsius em certas regiões.
Em um dia típico de janeiro, as temperaturas médias nacionais costumam ser cerca de 8 graus mais baixas. Maximiliano Herrera, climatologista que monitora condições meteorológicas extremas, tuitou nesta semana que esta onda de calor é “a mais descomunal de todos os eventos extremos já vistos na Europa”. A previsão é de que partes do continente tenham chuvas e vento nos próximos dias, o que pode reduzir o calor.
Nos Alpes, as altas temperaturas derreteram a neve e impediram as pessoas de usarem as pistas de esqui. Várias estações de esqui na França e na Suíça informaram que estavam fechadas nesta semana porque a maior parte da neve derreteu nas montanhas. Normalmente, este é o período de pico da temporada de esqui, de que as estações dependem para se sustentar pelo restante do ano.
O calor atípico esfriou a demanda por gás natural na região, o que acalmou os riscos de apagões e paralisações de fábricas neste inverno. Os moradores se preparavam para os altos preços do gás e para a falta de energia desde que a Rússia passou a restringir o fornecimento de gás para a Europa.
Ao longo do último mês, os preços do gás natural no continente caíram quase pela metade e chegaram a níveis pré-invasão da Ucrânia pela Rússia. Os contratos futuros de referência caíram até 11% ontem, para € 64,22 por megawatt-hora na Holanda. Esta é a menor cotação desde novembro de 2021. Apesar disso, analistas dizem que os preços podem voltar a subir quando a Europa tentar reabastecer seus estoques de gás para o inverno de 2023-24.
Os europeus sofreram uma série de ondas de calor recorde no ano passado. Centenas de pessoas morreram no verão, quando as temperaturas passaram dos 38º C e provocaram incêndios florestais.
Fonte: Valor Econômico
