O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu mais um passo rumo ao desfecho da maior fusão do mercado pet brasileiro. Segundo o documento publicado nesta quinta-feira (22) no Diário Oficial da União, os conselheiros rejeitaram o pedido da Petlove, que buscava esclarecimentos sobre pontos do acordo que autorizou a união entre Petz e Cobasi.
O relator do caso, conselheiro José Levi Mello do Amaral Jr., foi direto: não existe contradição ou omissão no acordo. Segundo ele, a suposta dúvida levantada pela Petlove pode ter surgido de uma “assimetria informacional” — já que parte do documento é confidencial e não está disponível na versão pública.
Para o tribunal, não havia nada a ser explicado. Levi reforçou ainda que a possibilidade de haver mais de um comprador para os ativos a serem vendidos é apenas uma exceção. Os demais conselheiros acompanharam seu voto.
O que vem pela frente
O presidente do Cade, conselheiro Gustavo Augusto, explicou que o julgamento dos embargos encerra a análise do caso, mas abre a fase de execução das obrigações impostas. Entre elas, está a venda de lojas e o monitoramento do cumprimento do acordo.
“Enquanto o desinvestimento não for concluído, e o acordo não for inteiramente cumprido, o caso não é arquivado”, destacou em entrevista ao Valor Econômico.
Com isso, a Petlove esgota todas as possibilidades administrativas dentro do Cade. Qualquer nova contestação à fusão só poderá ser feita na Justiça.
A fusão Petz-Cobasi
A união entre Petz e Cobasi foi aprovada em dezembro de 2025, condicionada à assinatura de um Acordo em Controle de Concentração (ACC). O documento prevê a venda de 26 lojas em São Paulo, que representaram 3,3% do faturamento conjunto das companhias nos 12 meses anteriores ao terceiro trimestre.
Em janeiro de 2026, a fusão foi oficialmente concluída: nasceu a União Pet, gigante do setor que passou a operar na B3 sob o ticker AUAU3. A Petz tornou-se subsidiária da Cobasi, e juntas as marcas consolidaram uma nova líder no mercado brasileiro.
Terceira maior varejista do setor, a Petlove entrou no processo como interessada desde 2024. Seu argumento era de que o acordo permitia a venda dos ativos a mais de um comprador, o que poderia gerar alienações em momentos diferentes.
Para a empresa, isso contradizia manifestações de conselheiros que defendiam a venda a um único comprador.
*Com informações do Estadão Conteúdo
Fonte: Seu Dinheiro

