Autarquia exige a venda de oito lojas no Nordeste, que já foram negociadas com a Bruno Farma
Por Beatriz Olivon — De Brasília
23/06/2022 05h00 Atualizado há uma hora
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Pague Menos vai manter a marca Extrafarma e aumentará o sortimento das lojas; negócio foi anunciado em 2021 — Foto: Divulgação
O Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, com restrições, a aquisição da Extrafarma pela Pague Menos. Será necessário vender oito unidades, conforme acordo firmado com a autarquia. A decisão foi unânime e inclui a aprovação da venda dos ativos para a Rede Bruno Farma/Drogaria Ultra Popular Itapipoca. Se o negócio não for fechado, novo comprador deverá ser apresentado ao órgão antitruste.
Esse era o resultado esperado pela Pague Menos, que tem a expectativa de ter a operação conjunta funcionando em agosto. A partir da decisão de ontem da autarquia, a empresa precisa concluir algumas questões administrativas para unir as empresas, segundo Luiz Renato Novais, CFO da Pague Menos. Esse processo deve ser concluído ainda em julho.
A rede de farmácias considera que os quatro meses até o fim do ano são um prazo curto para a integração ter impacto nos resultados da Pague Menos, que encerrou o primeiro trimestre com 1.169 lojas no país. “Muita coisa deve acontecer ao longo do ano que vem”, estima Novais. Com cerca de 400 lojas, a Extrafarma foi vendida pela holding Ultrapar para a Pague Menos em 2021, por R$ 700 milhões.
A decisão do Tribunal do Cade acompanhou o parecer da Superintendência Geral (SG) da autarquia, que já havia sugerido a aprovação com condições. A própria empresa havia comunicado, após a determinação da SG, que o desinvestimento de alguns pontos de venda representaria menos de 3% da base de lojas adquirida.
Para chegar a esse resultado, o Cade analisou os impactos da operação sobre 37 mercados municipais (municípios com menos de 200 mil habitantes) e 130 mercados por bairros (municípios com mais de 200 mil habitantes). Do total, foram verificadas sobreposições horizontais em 68 mercados. Desses, 16 eram municipais e 52 por bairros.
O relator, conselheiro Gustavo Augusto, verificou que haverá sobreposição significativa em oito mercados em que não há rival com condições para competir com a nova empresa. São as localidades onde as unidades terão que ser vendidas: Russas, Canindé, Limoeiro do Norte, Aracati e Horizonte, no Ceará; além de Chapadinha e Codó no Maranhão e Caicó no Rio Grande do Norte.
“Simplesmente mandar a Pague Menos vender os pontos de venda nas localidades não melhora a competição porque vai entrar um agente independente que não vai garantir um preço que coloque pressão nas grandes redes”, afirmou o conselheiro ao ler seu voto.
Ainda segundo o relator, o desinvestimento só faz sentido se os pontos forem vendidos para redes nacionais, regionais ou associações de farmácia. Por isso ele indicou o modelo “fix it first”, em que é necessário já indicar o comprador antes da aprovação da operação.
Em relação à rede de distribuição e programas de fidelidade, não há preocupações concorrenciais, segundo o relator.
Pela decisão, a Pague Menos não poderá adquirir nenhum dos ativos que integram o desinvestimento por um período de tempo (que não foi divulgado) e deverá cumprir duas exigências comportamentais para garantir a viabilidade econômica dos ativos vendidos. Esses “remédios” também não foram divulgados. A Pague Menos deverá, por dois anos, submeter à avaliação do Cade qualquer operação nesses municípios do desinvestimento.
O Tribunal também aprovou por unanimidade a Rede Bruno Farma/ Drogaria Ultra Popular Itapipoca como potencial compradora das oito unidades. De acordo com o CFO da Pague Menos, já há um contrato vinculante assinado, faltam apenas questões administrativas para concluir a operação, como a separação societária das oito lojas do restante do grupo. A restrição imposta pela autarquia não impacta planos futuros de expansão, segundo Novais. “Geralmente inauguramos lojas e para isso não há restrição do Cade.”
As primeiras ações previstas são o reforço nos estoques da Extrafarma. “Vemos a oportunidade de aumentar o sortimento de produtos. Também podemos melhorar a apresentação das lojas”, afirmou. O uso da marca será mantido. A pretensão de reformar lojas é só para os primeiros dois anos da operação conjunta. “Há um grupo de lojas que precisa de investimentos mais rápidos e ajustes na parte estrutural, como mobiliário.”
Fonte: Valor Econômico
