Por Arthur Cagliari — De São Paulo
26/02/2024 05h03 Atualizado há 5 horas
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Ao comentar sobre os negócios da Berkshire Hathaway, o megainvestidor Warren Buffett, em carta anual a acionistas, diz que resta nos Estados Unidos apenas um “punhado” de empresas capazes de movimentar o interesse da gestora, enquanto fora do país não há candidatas significativas. “Assim, não temos possibilidade de ter um desempenho para deixar olhos arregalados ”. Isso também explica o fato de o tamanho do caixa da empresa ter atingido um novo recorde, de US$ 167,6 bilhões em dezembro do ano passado, enquanto no trimestre anterior o volume era de US$ 157 bilhões.
O documento publicado no sábado mostra que os lucros operacionais da Berkshire Hathaway após impostos aumentaram 28% no quarto trimestre de 2023 na relação com o mesmo período do ano anterior, para US$ 8,48 bilhões. Isso se deu principalmente por conta da força do grande negócio de seguros da empresa e ao maior rendimento de seus investimentos. No ano, o lucro líquido atribuído aos acionistas da gestora foi de US$ 96,223 bilhões.
Ao longo do documento, Buffett comenta como funciona a mentalidade da Berkshire ao buscar um negócio, favorecendo em especial as raras empresas que podem angariar capital adicional e altos retornos no futuro. O megainvestidor -também conhecido como o “oráculo” de Omaha – afirma ainda que busca empresas dirigidas por gestores capazes e confiáveis, embora reconheça que “esse é um julgamento difícil de se fazer, e a Berkshire teve decepções”.
Assim como na carta anterior, Buffett volta a mencionar seus investimentos na Coca-Cola e na American Express. “Ambas as companhias novamente recompensaram a nossa inação [a não compra de ações] no ano passado, aumentando os seus lucros e dividendos.” Para este ano, o megainvestidor afirma que as duas empresas devem aumentar os dividendos, projetando expansão de 16% no caso da Amex.
Além das empresas mencionadas, Buffett comenta na carta os investimentos feitos na Occidental Petroleum e em cinco empresas japonesas (Itochu, Marubeni, Mitsubishi, Mitsui e Sumitomo).
No caso da companhia americana, embora tenha opção de aumentar sua participação, a Berkshire deixa claro que não tem interesse em comprar ou administrar a empresa. Já em relação às japonesas, Buffett diz manter o seu interesse de longo prazo, porque cada uma delas opera de forma altamente diversificada. A gestora americana tem participação em torno de 9% em cada uma das empresas e afirma que se comprometeu em não elevá-la para além de 9,9%.
Na primeira carta após a morte de Charlie Munger, sócio de longa data e também controlador da gestora, Buffett diz que Munger foi o “arquiteto” do que se conhece hoje da Berkshire, enquanto ele mesmo atuou como um “empreiteiro geral” para realizar a construção cotidiana da visão da empresa.
“Na vida real, os grandes edifícios estão ligados ao seu arquiteto, enquanto aqueles que despejaram o concreto ou instalaram as janelas logo são esquecidos”, diz Buffett em trecho do documento, acrescentando que, embora ele mesmo esteja há muito tempo encarregado de montar o time da empresa, é “Charlie Munger quem deveria ser sempre creditado como o arquiteto”.
Braço direito de Buffett, Munger morreu aos 99 anos em 28 de novembro de 2023, em um hospital da Califórnia. “Seu relacionamento comigo era, em parte, de irmão mais velho, em parte, de pai amoroso. Mesmo quando ele sabia que estava certo, ele me dava as rédeas, e quando eu cometi um engano, ele nunca – nunca – me lembrou do meu erro”, diz o megainvestidor.
Fonte: Valor Econômico


