Por Álvaro Campos, Valor — São Paulo
15/05/2023 12h07 Atualizado há 10 horas
O BTG Pactual assinou acordo de investimento para participação minoritária na Systemica, empresa que atua com estruturação, desenvolvimento e implantação de projetos de redução de emissão de gases de efeito estufa (GEE), além de comercialização dos ativos ambientais gerados. Os valores não foram informados.
Segundo o BTG, a operação tem como objetivo contribuir para uma economia de transição e unir esforços para fomentar o mercado de carbono, ajudando a promover maior integridade, qualidade e reputação internacional em projetos de carbono no Brasil e na América Latina.
A demanda para uma economia de baixo carbono vem crescendo internacionalmente, com instituições financeiras e grandes empresas assumindo compromissos de redução de emissões e estruturando estratégias para descarbonização das suas operações. De 2020 até o começo de 2023, o número de empresas com compromissos de redução de emissões formalizado pelo Science Based Targets (SBTi) — que mostra como as ações estão fundamentadas pela ciência para combater as mudanças climáticas — cresceu mais de dez vezes, o que se concretiza em volumes de créditos de carbono aposentados cada vez maiores, segundo a Trove Research.
A expectativa é que o mercado voluntário de crédito de carbono alcance um volume entre US$ 10 bilhões e US$ 40 bilhões até 2030, segundo a BCG. E o Brasil é um dos maiores potenciais de oferta de ativos para o mercado global. “A parceria entre o BTG e a Systemica une dois players de primeira linha, para fomentar o mercado de crédito de carbono ainda incipiente na América Latina e criar uma plataforma de ativos ambientais”, afirma em nota Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual.
Munir Soares, CEO da Systemica, enxerga sinergias positivas com o BTG. “A aliança com o BTG Pactual vai dar o respaldo de uma grande instituição financeira e garantir ainda mais qualidade aos créditos de carbono comercializados, assim como contribui para desenvolver nosso ecossistema de ativos e soluções ambientais e o mercado em maior escala”, diz Soares.
Em entrevista ao Valor, Mariana Oiticica, co-head de Investimento de Impacto e ESG do BTG, aponta que a área foi criada no banco em 2020 e que, apesar de as empresas estarem caminhando na transição para uma economia de baixo carbono, ainda será preciso comprar créditos para zerar as emissões. “Uma das principais preocupações que há na indústria hoje em dia é sobre a qualidade dos projetos que geram esses créditos de carbono, porque é um processo quase artesanal, que se relaciona com diferentes comunidades, por isso escolhemos um parceiro que faz isso de forma tão séria e cuidadosa.”
Patrícia Genelhu, head de Investimentos Sustentáveis e de Impacto do BTG, acrescenta que o negócio tem sinergia com outras áreas do banco e que a parceria ajuda na escalabilidade do projeto, além da sofisticação desse mercado, que ainda é novo. “Vamos desenvolver soluções que geram amplitude e ganham cada vez mais relevância para as empresas.” O banco pode atuar em três frentes nesse processo: o ativo em si (aquisição da propriedade que vai gerar o crédito de carbono); desenvolvimento do projeto (integridade técnica); e trading dos créditos (ligando compradores e vendedores).
A Systemica tem como foco o desenvolvimento de projetos para o mercado voluntário de carbono (REDD+, Reflorestamento, e outras Soluções Baseadas na Natureza), mas enxerga um grande potencial em outros serviços ambientais que se desenvolvam como produtos com possível demanda crescente, como preservação da biodiversidade, créditos de carbono atrelados à agricultura sustentável e o potencial mercado de plástico.
Apesar do acordo com o BTG, ela continuará atuando de maneira independente. “A Systemica foi criada em 2012 e tem uma aposta muito grande no mercado de carbono, baseada em três pilares: base científica robusta e sólida; elevada integridade social e ambiental; e um forte retorno em termos de impacto social”, comenta Soares. Com uma equipe de 40 especialistas, a empresa tem 500 mil hectares em fase de implementação e já mapeou outros 2 milhões de hectares em oportunidades. Além do Brasil, avalia dois projetos no exterior, na Colômbia e Bolívia, mas eles ainda não estão maduros.
Todos os projetos da Systemica contam com dupla certificação, o Verified Carbon Standard (VCS) e o Climate, Community and Biodiversity (CCB). “Além disso, temos participado de iniciativas para ampliar a integridade do mercado brasileiro como um todo, como a Aliança Brasil NBS”, diz Soares. A empresa já trabalhou com clientes como Vale, CPFL, Brookfield, entre outros.
Fonte: Valor Econômico