Por Nikkei Asia, Valor — Tóquio
12/01/2023 09h33 Atualizado há uma hora
As reservas de moeda estrangeira em todo o mundo encolheram 10% nos primeiros nove meses do ano passado, à medida que países como o Japão se esforçavam para defender suas moedas contra o rápido fortalecimento do dólar.
O total global caiu para US$ 11,6 trilhões no fim de setembro, ficando abaixo de US$ 12 trilhões pela primeira vez desde março de 2020, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).
“Isso provavelmente reflete os países que vendem reservas, principalmente dólares, para sustentar suas próprias moedas”, disse Yoshimasa Maruyama, da SMBC Nikko Securities.
As reservas do Japão caíram 13% no ano, para US$ 1,23 trilhão no fim de 2022, a primeira queda em seis anos e a mais acentuada em dados comparáveis desde 2001, segundo estatísticas do governo divulgadas na quarta-feira.
Como o iene enfraqueceu acentuadamente em setembro e outubro, em um determinado ponto além de 151 ienes por dólar, Tóquio vendeu ativos denominados em dólares por ienes para tentar conter sua queda.
Esses saques esgotam uma importante fonte de recursos não apenas para tais intervenções, mas também para o pagamento de dívidas em moeda estrangeira, e podem deixar os países mais vulneráveis a turbulências econômicas.
Embora os mercados de câmbio tenham se estabilizado por enquanto, permanece o risco de outro pico no dólar, que poderia levar os países a uma nova crise.
As economias emergentes, como o Sri Lanka, tiveram um desempenho especialmente ruim. Suas reservas caíram mais de 40% entre o final de 2021 e novembro, segundo dados do FMI, já que a queda no turismo contribuiu para uma terrível escassez de moeda estrangeira.
Os países asiáticos com poucos recursos naturais também tiveram quedas consideráveis, com as reservas da Coreia do Sul caindo 10% em meio aos esforços para sustentar o won.
A tendência começou a mudar em alguns países à medida que a valorização do dólar diminuiu nos últimos meses de 2022.
As reservas de moeda estrangeira da Turquia, por exemplo, caíram drasticamente quando a insistência do presidente Recep Tayyip Erdogan em manter a política monetária frouxa derrubou a lira turca. Depois que a pressão sobre a moeda diminuiu, no entanto, o país trabalhou ativamente para reabastecer esses ativos e terminou com um total maior do que no fim de 2021. A África do Sul também aumentou suas reservas.
Mas as reservas em grande parte do mundo permanecem em níveis preocupantemente baixos com base na avaliação da métrica de adequação de reservas (ARA) do FMI, que analisa se os países têm moeda estrangeira suficiente disponível para cobrir possíveis fugas de capitais.
De acordo com o Dai-ichi Life Research Institute do Japão, a Turquia agora tem apenas 53% das reservas de que necessita sob esta medida – bem abaixo da recomendação do FMI, de 100% a 150%.
A China, que possui as maiores reservas de moeda estrangeira do mundo, está em cerca de 60% de sua métrica ARA após uma queda de 4% em suas participações no final de 2021 e novembro, sugerindo que continua vulnerável à fuga de capitais.
Há especulações de que o banco central dos Estados Unidos (Fed) poderia começar a cortar as taxas de juros novamente já neste ano, o que conteria a pressão de alta sobre o dólar. Mas o dólar pode ganhar força novamente se a inflação durar mais do que o previsto.
“O pior já passou em comparação com quando a força do dólar atingiu o pico no terceiro trimestre de 2022, mas se ele se valorizar novamente, os países terão recursos limitados para sustentar suas moedas”, disse Toru Nishihama, da Dai-ichi Life Research.
Fonte: Valor Econômico

