/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2026/S/H/uTlMQ3R6eGZ2OmzHkJGA/arte20bra-101-fmi-a4.jpg)
O cenário para a economia brasileira foi na contramão da previsão para o PIB global, e o país foi um dos que sofreram maiores cortes nas previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o desempenho em 2026.
Segundo o relatório “Perspectivas Econômicas Mundiais” (WEO), divulgado pelo Fundo nesta segunda-feira (19), o PIB do país crescerá 1,6% neste ano – abaixo do 1,9% estimado em outubro – e 2,1% no próximo – alta de 0,1 ponto percentual ante a projeção anterior.
O corte de 0,3 ponto percentual em relação às projeções de outubro do ano passado foi o terceiro maior em uma lista de 30 economias que tiveram suas estimativas atualizadas pelo FMI. Só Cazaquistão e Paquistão tiveram reduções maiores (ambos de 0,4 ponto percentual cada). Além desses três países, o organismo multilateral só ampliou o pessimismo para Itália, Rússia e Filipinas.
A piora da previsão para o Brasil acontece em um momento em que o FMI ampliou a estimativa para o crescimento da economia global neste ano de 3,1% para 3,3%, puxada por EUA e China.
Na lista de 30 países, o Brasil vai ter o 17º maior crescimento neste ano, ao lado de Canadá e Tailândia e imediatamente atrás da Coreia do Sul (1,9%). Para 2027, o avanço de 2,3% colocaria o Brasil em 14º lugar na mesma lista do Fundo.
Tanto no cenário deste ano como no de 2027, o Brasil teria crescimento inferior ao do PIB global, ao dos países emergentes e ao das economias da América Latina.
As previsões do FMI para este ano são bem mais pessimistas do que as do Ministério da Fazenda, que projeta uma expansão de 2,4% da economia brasileira em 2026, e do Banco Mundial, que na semana passada estimou um avanço de 2% do PIB – revisão para baixo de 0,2 ponto percentual ante relatório publicado em julho.
O cenário também é pior que o previsto por economistas consultados pelo Banco Central para a pesquisa Focus, que, na edição publicada nesta segunda-feira, projetam expansão de 1,8% para o PIB brasileiro em 2026 – o mais pessimista dos especialistas prevê alta de 1%, e o mais otimista espera avanço de 2,6%.
Os economistas do Fundo não detalham na nova edição do WEO os motivos para a revisão para baixo das perspectivas do Brasil. Na semana passada, o Banco Mundial citou que sua nova projeção refletia “os impactos das taxas de juros reais elevadas, dos ventos contrários relacionados ao comércio e da maior incerteza global”.
No contexto regional, o FMI também revisou para baixo o crescimento da América Latina e o Caribe, agora estimado em 2,2%, ante 2,1% de outubro, e elevou a projeção de 2027 em 0,1 ponto percentual, para 2,7%. De acordo com o relatório, a recuperação no próximo ano ocorrerá “à medida que os países da região aproximam de seu potencial a partir de diferentes posições cíclicas”.
Já o crescimento global em 2026 foi revisado para cima em 0,2 ponto percentual, de 3,1% para 3,3%, segundo as novas previsões do FMI. Para os economistas da entidade, o “boom” de investimentos em tecnologia, especialmente em inteligência artificial, está compensando os efeitos do choque comercial causados pelas tarifas de Donald Trump.
Na previsão do Fundo de outubro do ano passado, o Brasil caiu de décima maior economia global, em 2024, para 12º lugar em 2025 e 2026. O resultado, porém, não depende apenas do desempenho das economias, já que ele é calculado em dólar – a cotação da moeda americana durante o ano, portanto, tem peso importante para o resultado final de cada um dos países. (Colaborou Álvaro Fagundes)
Fonte: Valor Econômico

