Após a eclosão da guerra contra o Irã, a manutenção dos fluxos positivos de capital estrangeiro para a bolsa local, ainda que em menor volume, surpreendeu bancos estrangeiros, como o J.P. Morgan. Em virtude da continuação dos fluxos, o banco acredita que o Brasil está entre os países melhor posicionados na América Latina para atuar como “porto seguro” (“safe haven”) em um momento de grande aversão a risco global como o visto agora.
“É extraordinário o fato de o Brasil estar recebendo fluxos em um momento de aversão ao risco global, quando o dólar está se fortalecendo, as curvas de juros estão sendo reprecificadas e os fluxos para mercados emergentes são negativos (resgate de US$ 8 bilhões desde o início da guerra até o dia 19 de março)”, pondera a equipe de estratégia em ações para América Latina e Brasil do banco americano, liderada por Emy Shayo Cherman.
Na visão dos profissionais do banco americano, o movimento reforça a visão de que a “América Latina é um porto seguro dentro dos emergentes e que, dentro da América Latina, o Brasil está na melhor posição”. Segundo o banco, os fluxos estrangeiros foram os responsáveis por permitir que o Brasil estivesse entre os mercados com melhor desempenho, tanto no ano quanto no mês.
Considerando os dados deste mês até a última quinta-feira (19), os profissionais destacam que houve apenas três pregões de retiradas de investidores estrangeiros da B3 em 14 dias de sessão. “Esse é o segundo melhor fluxo já registrado, ficando atrás apenas de 2022. Naquela época, o Brasil recebeu um volume enorme de fluxos, principalmente após a exclusão da Rússia do MSCI, e em virtude de o país possuir maior presença de ações de commodities no índice.
Embora a perspectiva ainda seja positiva para os fluxos, os analistas observam que é preciso atenção com o volume dos próximos meses. “A questão principal é se, uma vez que as condições se estabilizarem, as entradas de capital nos mercados emergentes retornarão à tendência observada em janeiro e fevereiro.”
Do ponto de vista local, o banco destaca que um gatilho favorável será a continuação do ciclo de corte de juros no Brasil, que foi iniciado na semana passada, com uma queda de 0,25 ponto da Selic, para 14,75% ao ano. Nas projeções da instituição financeira, a taxa básica de juros pode encerrar em 11,75% neste ano, chegando a 10% no fim de 2027.
“Isso é importante não apenas para a indústria local — que está em má situação há muito tempo, com a alocação de fundos em ações em 8,3% contra uma média de 11% — mas também para as empresas, particularmente as mais alavancadas”, observa o banco.
Fonte: Valor Econômico
